quinta-feira, 16 de março de 2017
quarta-feira, 8 de março de 2017
Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (6)
Na construção e representação do belo, a pintura entre
Quatrocentos e Quinhentos trouxe uma evolução à ideia já existente da admiração
da beleza. Esta deixou de aparecer como uma representação das partes admiradas
para se constituir na Beleza supra-sensível. Essa beleza, ou esse sentido do
belo atingiria uma dimensão mais elevada. Essa natureza do belo estaria
presente nas figuras humanas, mas também na própria natureza. Uma das figuras
que ajudou a definir essa representação do belo, essa beleza supra-sensível foi
Marsílio Ficino, uma das figuras do neoplatonismo desenvolvido em Florença, na
2ª metade do século XV.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
Imagem – Sandro Boticelli, Alegoria da Primavera, (pormenor),c.
1478, Florença, Uffizi.
A pintura entre Quatrocentos e Quinhentos propõe uma nova
concepção de beleza. Tenta ultrapassar a concepção de Beleza definida como
proporção e harmonia e tenta juntar a sabedoria dos clássicos, reordená-la
dentro de um sistema inteligível que seja portador do simbólico e harmonizá-la
com o imaginário cristão. É uma concepção do Belo assente num grande valor
simbólico.
Fonte: História da
Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
Imagem – Sandro Boticelli, Alegoria da Primavera, (pormenor),c. 1478, Florença, Uffizi.
Imagem – Sandro Boticelli, Alegoria da Primavera, (pormenor),c. 1478, Florença, Uffizi.
A Beleza
supra-sensível:
“Na verdade, não há beleza mais autêntica do que a sabedoria
que encontramos e amamos em qualquer indivíduo, prescindindo do seu rosto que
pode ser feio e, não olhando precisamente para a sua aparência, procuramos a
sua beleza interior. Mas, se ela não te comove a ponto de chamares belo a esse
homem, nem sequer olhando para o teu íntimo poderás perceber-te como coisa
bela. Nesta atitude, em vão a procurarás, porque estarias a procurá-la numa
coisa feia e não pura. Por isso, estes nossos discursos não se dirigem a todos;
mas lembra-te deles, se também tu te consideras belo”.
Plotino (século III), Enéades, V, 8
Imagem – Ticiano, Vênus de Urbino, 1538, Galeria de Uffizi,
Florença.
segunda-feira, 6 de março de 2017
Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (5)
A beleza mágica da pintura entre Quatrocentos e Quinhentos passou
pelas ideias de modernismo de Alberti e pelo seu Tratado de Pintura, onde surge
uma teoria perspectivista da arte de olhar.
Diz Alberti, “a pintura, não será outra coisa que a intersecção da
pirâmide visual segundo uma distância dada, estando o centro da visão colocado
a luzes dispostas numa certa superfície representada com arte por meio das
linhas e das cores”.
Alberti marcará o Renascimento e dará às ideias da cultura clássica um
novo alvorecer. Com ele floresce essa luz criada pela magia da arte europeia entre
Quatrocentos e Quinhentos, com destaque para a pintura, onde o quadro é uma
janela aberta. Dentro da janela o espaço multiplica os planos, onde a
organização se faz segundo uma sucessão de aprofundamentos que se integram e se
modelam pela luz e pela cor. Nesta pintura que se desenvolve entre Quatrocentos
e Quinhentos o papel da pintura flamenga e da pintura a óleo são indissociáveis
neste movimento. É esse tratamento a óleo que permite construir um efeito de magia
no sentido em que as figuras parecem envolvidas e mergulhadas numa luminosidade
que excede o natural.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
#Obelocomorepresentação
Imagem – Jan Van Eyck, Virgem do chanceler Rolin, c. 1435, Museu do Louvre, Paris
Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (4)
A beleza mágica da pintura entre Quatrocentos e Quinhentos foi
construída primeiramente como um diálogo entre a imitação da natureza e a
procura de uma perfeição inventiva. Para este enobrecimento do belo como
recriação da natureza deveu muito a dois tipos de invenções.
A primeira foi o aperfeiçoamento das técnicas de representação da perspectiva desenvolvido por Brunelleschi Imitação e invenção. Reprodução da realidade observada e renovação da mesma pela visão do observador. Filippo Brunelleschi foi arquitecto, escultor renascentista e concluiu a cúpula da catedral de Santa Maria del Fiore em Florença.
A primeira foi o aperfeiçoamento das técnicas de representação da perspectiva desenvolvido por Brunelleschi Imitação e invenção. Reprodução da realidade observada e renovação da mesma pela visão do observador. Filippo Brunelleschi foi arquitecto, escultor renascentista e concluiu a cúpula da catedral de Santa Maria del Fiore em Florença.
#Obelocomorepresentação
Imagem – Cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, Forença, séc. XV.
Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (3)
Ainda com o jogo de dualidade entre a imitação e a inventividade do
período entre quatrocentos e quinhentos. E ainda as palavras de um mestre,
alguém que encontrou a luz, espelhada numa forma de criação.
“Queto que os jovens […] aprendam a desenhar bem os contornos das
superfícies e se exercitem como nos primeiros elementos da pintura; depois,
aprendam a juntar as superfícies e aprendam cada forma distinta de cada membro,
e mandem para a mente qual é a diferença que existe em cada membro. […] E,
assim, o pintor examina todas as coisas que, estando num membro a mais ou a
menos, os faz diferentes. E note ainda quando vemos que os nossos membros
infantis são redondos, quase feitos ao torno e delicados; na idade mais
provecta são ásperos e angulosos. Assim, o pintor estudioso conhecerá todas
estas coisas a partir da natureza e examiná-las-á consigo mesmo muito
assiduamente, de modo que cada um esteja, e continuamente estará, desperto com
os olhos e com a mente nesta investigação e obra.”
Leon Battista Alberti, Da pintura, 1435
#Obelocomorepresentação
Imagem –Domenico Ghirlandaio, Retrato de mulher jovem, C. 1485, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa.
Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (2)
O poder do pintor:
O pintor é dono de todas as coisas que podem cair no pensamento humano; porque, se ele desejar ver belezas que o apaixonem, será senhor de gerá-las e, se quiser ver coisas monstruosas que espantem ou que sejam histriónicas ou ridículas ou verdadeiramente lastimáveis, ele é seu senhor e criador. E, se quiser gerar sítios desertos, lugares sombrios ou frescos nos tempos quentes, figurá-los-á e também lugares quentes nos tempos frios. Se quiser vales, o mesmo; se quiser dos altos cumes dos montes descobrir uma grande campina e se quiser depois ver o horizonte do mar, será capaz disso; e, assim também se, dos fundos dos vales, quiser ver os altos montes, ou dos altos montes, os fundos vales e as praias. E, com efeito, o que está no universo por essência, presença ou imaginação, ele o tem primeiro na mente e, depois, nas mãos que são de tão grande excelência que ao mesmo tempo criam uma proporcionada harmonia num só olhar como as coisas fazem.
Leonardo da Vinci, Tratado de pintura, VI, 1498
Imagem - Leonardo da Vinci, A viagem dos rochedos, C. 1482, Paris, Museu do Louvre
Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (1)
Entre quatrocentos e quinhentos a
beleza e a criação artística criaram algo que poderíamos chamar de mágico. A
descoberta da perspectiva na Itália, ou a difusão de novas técnicas pictórias,
ou a influência das ideias de Platão alteraram a representação do belo. Não é
exagerado que a luz como algo a desfrutar foi por esse conjunto de artistas
dado ou revelado ao futuro. Nesses dois séculos a representação do mundo
visível era o meio para o conhecimento de uma realidade que estava organizada
segundo regras coerentes. O artista era assim criador de uma novidade e ainda
assim imitador da natureza. Na imitação estuda o que parece fiel à natureza, na
criação constrói a inovação técnica e não realiza a repetição das formas.
As páginas de conteúdos digitais têm agregado no Facebook e no
Twitter, uma etiqueta que aqui se irá dando conta de um modo progressivo,
justamente:
Imagem: Sandro Boticelli, Senhora de Magnificat, C. 1482,
Florença, Uffizi.
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