Na antiga Mesopotâmia, (hoje o atual Iraque) nasceram as primeiras formas de uma revolução urbana que faria evoluir os primeiros povoados para formas mais concentradas de aglomeração, onde foram determinantes a metalurgia, a divisão do trabalho, a organização de um poder sacralizado e a invenção da escrita. Foi entre os rios Tigre e Eufrates que (entre 3000 - 3.100 a.C.) na Suméria se ergueu em cidades como Ur ou Uruk uma civilização que evoluiu dos seus agricultores, sacerdotes e escribas para os sonhos de soberania de um poder sacralizado. É nesta atmosfera que nos chega o mais antigo documento escrito da Humanidade - A epopeia de Gilgamesh.
Este poema épico foi descoberto em meados do século XIX na região norte do Iraque, em placas de argila e data do período entre entre 2700 a 750 a.C. Conta a história de um mítico rei chamado Gilgamesh e que a arqueologia data como tendo reinado por volta de 2750 a.C em Uruk, a sul do atual Iraque. É um poema que se baseia em lendas, histórias e mitos, que tiveram como ponto de nascimento a civilização da Suméria. O poema junta elementos espirituais desta civilização com alguns dados históricos e factos. A epopeia foi difundida por civilizações posteriores, estando ligada aos povos da Mesopotâmia.
O poema de Gilgamesh tem como personagem principal e seu herói, a figura de Gilgamesh, que foi o fundador da cidade de Uruk, que reinou na primeira metade do III Milénio a.C. O poema relata-nos a existência de Gilgamesh, um rei déspota e cruel. Descontentes com o seu rei, o povo pede à deusa Arunu que crie um homem que lhe faça frente. Acedendo ao pedido do povo, a deusa cria a partir de lama, e criado entre os animais selvagens, um homem de nome Enkidu.
Enkidu entra em confronto com o rei, mas acabam por se tornar amigos, e ambos passam a combater juntos inimigos mitológicos, em que se salienta Ishtar, deusa dos bosques. Ishtar enamora-se por Gilgamesh embora este não lhe corresponda. A deusa enfurecida, envia o touro do céu para destruir o rei e a sua cidade. Enkidu derrota o touro, mas morre devido a uma maldição envida por Ishtar sobre ele.
Desgostoso com a morte do amigo, Gilgamesh inicia uma viagem com o intuito de procurar Utamapishtim, o único sobrevivente do dilúvio e detentor do segredo da imortalidade. Quando o encontra este revela-lhe que o tesouro da imortalidade se encontra no fundo do mar, materializado numa planta marinha. Gilgamesh lança-se nas profundezas do mar e encontra a planta. No regresso a casa, por intervenção de uma serpente perde o tesouro, podendo ela mudar de pele e continuar a viver e o “HOMEM” perde o segredo da imortalidade e continuará a ser mortal para toda a eternidade.
Encontramos no poema de Gilgamesh elementos que ligam o real e o imaginário, a lenda, a magia e a realidade. O poema de Gilgamesh pode ter sido uma narrativa construída por sacerdotes para garantir a permanência do rei na sua cidade. É, no entanto o documento escrito mais antigo da História da Humanidade e é, sobretudo um material de grande valor, pois constrói a ligação do mito, que é uma das formas supremas com que a História dialoga com as diferentes formas de consciência coletiva. O teatro da Cornucópia está a representar até dia 13 de dezembro esta epopeia, onde procura ler essa pedra filosofal comum a muitas épocas - A Imortalidade.
Luís Campos (Biblioteca)
Luís Campos (Biblioteca)
