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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Vergílio Ferreira - Pensar ou não Pensar? (VI)

O excerto apresentado, retirado do livro “Pensar” de Vergílio Ferreira, refere a importância do intelectual, do filósofo e do poeta na sociedade. O autor depara-se com um problema filosófico que relata a insignificância do poeta, do filósofo e do intelectual na comunidade atual. Segundo o autor, a importância do intelectual, do filósofo e do poeta na sociedade, baseia-se:

  I. no intelectual sendo considerado uma “espécie em vias de extinção”;
 II. no filósofo, referindo todo o seu árduo trabalho ao buscar a sua verdade;
   III. no poeta, que parece atrapalhar “o trânsito”, mesmo não querendo mal a ninguém.

Estas palavras descritas pelo filósofo significam:

   I. O ocultamento gradual da inteligência e da cultura que vão sendo abafadas pelas novas tecnologias, impostas pela atualidade. Que vão criando hábitos e que nos vão dando respostas sem perguntarmos, sem necessitarmos de o fazer. Que vão terminando com a nossa curiosidade e extinguindo o nosso interesse pela cultura que pouco ou nada nos diz;

   II. Todos os processos enfrentados pelo sábio na descoberta do que considera verdade, sem saber se a irá encontrar. No quão incerta será a resposta e o quão frustrante acabará por ser quando outros filósofos colocarem o seu ideal de parte, o que aparece ao homem comum como se a sua reflexão não seja válida nem útil;

  III. Como incríveis sonhadores, os poetas, procuram maneiras de patentear a sua imaginação na escrita aprendendo mais com outros poetas e ensinando a outros, tornando-se num círculo vicioso que acaba por pouco influenciar no seu pensar e na sua imaginação a sociedade. 

Por último, e de modo a manifestar a minha opinião relativamente ao tema, devo acrescentar que concordo com o autor, pois como já referi anteriormente,  o desenvolvimento da sociedade tem vindo a influenciar a importância da filosofia, da intelectualidade e da poesia no mundo atual. É certo que toda a tecnologia existente nos veio abrir novas portas, novos caminhos que até ninguém (ou poucos) haviam explorado, porém coloca-nos numa posição cada vez mais dependente que afeta progressivamente a nossa autonomia a até mesmo a nossa capacidade de pensar, de imaginar e de resolver verdadeiros problemas. 


A “internet” veio facilitar a comunidade atual que pouco ou nada se preocupa com os fenómenos naturais, com a economia, com a política ou até mesmo com a agricultura porque, com um simples “click” ou uma rápida pesquisa, encontrarão os resultados. De questões que nem se atreveram a fazer, questões essas que nem sequer lhes passaram pela cabeça, ninguém parece interessar-se, porque não estão dirigidos por uma razão e vontade autónomas. Infelizmente já ninguém pensa por si, porque dependem de segundas opiniões para o fazer. É aí que a filosofia faz a diferença. E é, por isso, que este texto de Vergílio Ferreira é tão importante, pois, faz-nos ver que é importante Pensar. 

Joana Margarida Cerqueira Fernandes - 10ºC3

sábado, 28 de novembro de 2015

Vergílio Ferreira - Pensar ou não Pensar? (IV)

No texto de Vergílio Ferreira, o autor tenta fazer com que as pessoas se apercebam que, ao contrário do que pensam, se não existissem filósofos, que seria da humanidade? De pessoas que não questionam nada, e que acatam ordens de outros sem sequer querer saber se está certo ou errado o que fazem?

Vergílio Ferreira, neste excerto, tenta “acordar” a sociedade para o verdadeiro perigo que é condenar a filosofia e os filósofos, ao pô-los à parte da sociedade, por serem diferentes na maneira como pensam, como vivem, como questionam tudo o que existe à sua volta. Os filósofos continuam a questionar, porque disso é feita a filosofia, de querer ir mais além,  apesar de não existirem verdades absolutas…

Tudo isto se relaciona com a Alegoria da Caverna, pelo simples facto de, no texto de Vergílio Ferreira, o indivíduo que tenta fugir e sair da ignorância e da monotonia da vida, é julgado e rejeitado numa tentativa de ajudar os outros, ajudar a sociedade a evoluir. Em ambos os textos, o intelectual/filósofo é posto de lado e julgado como um louco, e visto como um “minhoquinhas”  que tenta mudar a sociedade.


Por isso, ao contrário do que a sociedade crê, não podemos descartar a filosofia, muito menos os filósofos, pois, a filosofia é necessária, sem ela, não teríamos evoluído até hoje, continuaríamos a ser e a viver como os “homens da caverna”; e isso não é vida que se leve com os recursos que temos hoje em dia, por isso todos nós por muito pouco que conheçamos, temos que estar dispostos a ouvir opiniões divergentes das nossas e admitir os nossos erros, para assim podermos evoluir como sociedade. 

Patricia Campião Leonardo nº19 10ºC1 

Vergílio Ferreira - Pensar ou não Pensar? (III)

              Relação entre o texto de Vergílio Ferreira, Pensar e a Alegoria da caverna de Platão:



Este texto, de Vergílio Ferreira, pode relacionar-se com a Alegoria da Caverna, de Platão, que comentei anteriormente. Em ambos os textos pode verificar-se que existe uma sociedade que vive num mundo chamado realidade, no mundo das sombras. Na actualidade, este mundo de sombras podem ser substituídas pelo mundo virtual, pela televisão, pelo mundo das imagens e ideias feitas. Um mundo que é vivido pelos mesmos que desprezam os intelectuais, os filósofos, que se fartam de trabalhar para chegar a uma verdade, a uma solução, a uma resposta. Que passam por um longo caminho desde o mundo das sombras até conseguir por fim ver a luz, tal como se descreve na Alegoria. 

E quando finalmente conseguem chegar a algum tipo de resposta, ou conclusão, tentam partilhá-la connosco, com as pessoas que rodeiam o filósofo e que ainda estão presas ao mundo das imagens. E o que acontece? Normalmente não acreditamos no que eles nos dizem e julgamo-los loucos. E eles acabam por palrar uns com os outros por mais ninguém querer saber, por ninguém se preocupar, por ninguém acreditar neles, nem no quanto são fundamentais. No entanto, e isso poucos percebem, o intelectual, o filósofo, os poetas, são os únicos que se preocupam realmente com problemas significativos do seu tempo e que dizem respeito a todos os homens.

Vergílio Ferreira questiona-se se , de facto, os intelectuais estrão em vias de extinção. Sim, talvez,  por culpa nossa, por insistirmos em permanecer nas nossas bolhas, abstraídos do mundo que nos rodeia, fixados nas imagens que vão passando na televisão, e que correspondem, no caso da alegoria, às sombras que passavam na parede da caverna.
Da mesma forma que nos é dada a conhecer nos dois textos, a sociedade descrita é uma sociedade que não se dá ao trabalho de pensar. Tal qual como atualmente. E se ninguém pensar, se ninguém se der ao luxo de fazer alguma coisa, então os problemas surgirão e ninguém se preocupará em encontrar soluções, a menos que o problema interfira diretamente, e imediatamente, com a sua vida, rotineira e monótona. E nada se vai acabar por resolver, porque a sociedade decidiu fazer dos filósofos seres invisíveis, tal como fazemos quando passamos por um sem-abrigo, e desviamos o olhar.
O sem-abrigo que ficou sem casa, sem roupas, sem comida, sem dinheiro, e, muitas vezes, sem família, por causa destes mesmos problemas que atingem o nosso mundo todos os dias, à velocidade de um TGV, porque se não fosse isso, esse sem-abrigo, seria um com-abrigo, uma pessoa igual a nós que provavelmente faria o mesmo que nós fazemos diariamente para com as pessoas que chamam casa aos bancos da rua, e mantas às caixas de cartão que deitamos fora todos os dias.

E fazemo-lo para não nos sentirmos mal com nós próprios, não porque não podemos ou não temos posses para tal, mas por um simples facto que é a Conveniência. Sim, porque vivemos num mundo em que só se faz o que nos agrada e não o que está correcto ou o que é melhor. Fechamos os olhos aos filósofos por conveniência.
O mundo em que vivo é um mundo onde o poder económico tem mais importância que os valores, um mundo onde a nossa raça, clube, religião, ou opinião política define quem somos ou o que podemos ou não podemos fazer. Um mundo onde há ganância e ignorância para dar e vender. Um mundo dedicado às tradições, superstições e falsas religiões. Muitas vezes usadas como escudo em guerras completamente absurdas, onde o chocante nem é a guerra em si, mas sim o facto de existirem pessoas capazes de cometer tamanhas barbaridades.

Um mundo que, só quando alguém se lembra de se explodir numa cidade ilustre, é que acorda para ver o que se passa. Todos decidem espalhar palavras de compaixão, pelos que sofrem, ou de revolta, pelos que cometeram o acto, nas redes sociais. Cobrem o mundo com a bandeira do dito país, quando essa mesma guerra, esses mesmos atentados ocorreram, se não mais graves, há anos atrás. Ou já se esqueceram do Boko Haram? O célebre Boko Haram. Aqui se vê a dita ignorância sufocante presente na nossa sociedade. Só nos preocupamos com o que nos agrada.

No dia 13/11/2015, às 21h00, deu-se o atentado de França. A comunicação social pelo mundo inteiro disparava notícias de minuto a minuto durante todo o fim-de-semana. Fomos invadidos por uma onda de compaixão humanista que só está presente mais por uma questão de “ficar bem na fotografia”. O mundo inteiro unido por uma causa. Hoje, dia 24/11/2015, passados onze dias desde os atentados o mundo voltou a fechar-se e já ninguém quer saber. Nos noticiários da televisão, a notícia tem direito ao rodapé enquanto se discute o resultado do jogo de futebol do dia anterior. Notícias online, tvi24 por exemplo. Vão reparar que só no fim da página há um pequeno espaço dedicado a essas notícias.

E como a comunicação social seguiu em frente nós fazemos o mesmo, como bons soldados que somos. Como bons paus mandados da televisão e das redes sociais. É este o poder que os média têm na actualidade, é este o poder que lhes demos para as mãos. Foi nesta arma perigosíssima que transformámos o mundo da comunicação. É perante isto que eu chego à conclusão de que tal como disse Vergílio, os intelectuais são um desperdício na sociedade actual, são chacinados pela ignorância incutida pela escola da televisão, nesta era das Tecnologias. Resta-nos por isso, ter esperança de que os jovens tenham noção de que a filosofia é essencial. Que lhes ensinem a amar a sabedoria, a questionar, a não viver na ignorância, a procurar soluções, mesmo que rudimentares, para os problemas com que nos deparamos actualmente.

E se pararmos para pensar, o que é que a filosofia faz por nós numa sociedade em que o tempo para pensar é cada vez mais escasso, na medida em que a velocidade do dia-a-dia nos obriga a tomar decisões rápidas, o que, consequentemente, nos leva a querer soluções imediatas? Como é que a filosofia nos iluminará num ambiente onde os bens materiais são mais importantes que o próprio ser humano? Onde actua a verdade numa sociedade como a nossa? E se é neste mundo bipolar que a filosofia está incluída, para que servirá? Onde é que a filosofia se enquadra numa sociedade que quer o ontem para já e o amanhã para hoje?

Nestes dois textos, vemos que a filosofia é a ciência essencial para tudo o mais ganhe sentido, ou seja, o mundo da tecnologia não existiria, se antes não houvesse alguém que se questionasse sobre a possibilidade de comunicarmos com o outro lado do mundo através do que agora são os telemóveis e a internet. Não haveria democracia se não houvesse alguém que se questionasse sobre o regime anterior, a ditadura, e o melhorasse de acordo com os valores, a ética, a filosofia social e política e todas as disciplinas da filosofia e o que isso implica. O mundo é movido pela filosofia, o amor ao saber, que por sua vez nos ensina a pensar por nós mesmos, de forma livre, autónoma e crítica, em oposição a poderes instituídos, a autoridades suspeitas e a todo o tipo de ameaças à vida individual e à liberdade de consciência. O ser humano tem a necessidade de filosofar, não só para se compreender melhor a ele próprio, mas também para compreender o mundo onde vive. De maneira que enquanto humanos somos incapazes de não filosofar, porque, mesmo que involuntariamente, em algumas situações, como por exemplo, quando nos deparamos com situações-limite, como a morte, acabamos por começar a filosofar.

Teoricamente a filosofia procura conhecer a essência da realidade, visando uma compreensão da totalidade das coisas e dos seres. Procura uma visão integrada de real, ao mesmo tempo que reflecte sobre os vários saberes, os problemas por eles suscitados e os conceitos usados por cada um. Na prática, a filosofia, ajuda-nos a orientarmo-nos no mundo, a saber viver, a agir de forma responsável, a encontrar uma finalidade para a vida, em ordem à conquista da felicidade possível. Por outro lado, ela intervém a nível social e político, no sentido de construir um mundo melhor.

A filosofia confere autonomia ao nosso pensamento, mas também a pressupõe. Ao ajudar a desenvolver o pensamento crítico ela torna-se uma arte de compreender o mundo e o ser humano e, ao mesmo tempo, uma arte de viver.
A utilidade da filosofia não está na produção de resultados imediatos. A filosofia amplia a nossa compreensão do mundo, expande os nossos horizontes intelectuais e a liberdade de pensamento.

A filosofia antiga difere da filosofia contemporânea pois, no contexto em que são desenvolvidos, há diferentes problemas e costumes. Por exemplo, na filosofia grega, não nos deparamos com o problema ambiental. Para além disso toda a filosofia é argumentativa. A argumentação é a base da filosofia e é por ser argumentativa, que também é problematizadora, democrática, plural, crítica, anti-conformista. Com isto eu tento explicar de uma forma resumida o que para mim é a filosofia. E são estas características que fazem da filosofia uma disciplina tão única e essencial.

Portanto termino este texto em concordância com o que Vergílio Ferreira escreve no final do texto, os filósofos, neste momento, só são reconhecidos e ouvidos por outros da mesma espécie, e enquanto assim for, a humanidade irá sofrer com isso também. Porque sem os filósofos, sem estes grandes seres humanos, a nossa história e vida seria uma grande porcaria, uma grandessíssima seca.

Beatriz Conceição, Nº4 - 10ºC1
Imagem: Copyright - Gustavo Marquez

Vergílio Ferreira - Pensar ou não Pensar? (II)

     Relação entre o texto de Vergílio Ferreira, Pensar e a Alegoria da caverna de Platão:


Estes textos podem ser relacionados quanto á forma de pensar dos filósofos. Na “Alegoria da Caverna”, o filósofo explora o mundo inteligível, moldando os seus pensamentos, idealismos e quando volta para dentro da caverna com objetivo de libertar os seus companheiros, estes simplesmente não acreditam nele achando que ele tinha enlouquecido. 

Por ter mudado de ideias, que para os que viviam dentro da caverna eram incontestáveis, e por se atrever a negar ou mudar crenças que até àquele momento pareciam as únicas válidas, o filósofo é sempre encarado como um ser à parte e pouco compreendido. Isto explica a razão pela qual o filósofo corre riscos e chega a ser morto.

Entretanto, no texto da obra “Pensar” da obra de V. Ferreira, o autor, usando ironia, transcreve a desvalorização que a sociedade daquele tempo dava aos filósofos e intelectuais. A sociedade tende a desprezar a inteligência, o conhecimento dos sábios e intelectuais, sem tentar sequer compreender a maneira como eles vêem o mundo.

Interligando estes dois textos, podemos dizer que em ambos se reflete sobre a dispensabilidade dos filósofos numa sociedade rotineira e dogmática. Não se valoriza que o filósofo é o homem que se atreve a pensar e a sair da prisão, mundo sensível, para a liberdade , mundo inteligível. Também se mostra que os intelectuais e filósofos são uma classe de homens à parte mas absolutamente necessária para a elevação de toda a Humanidade.


   Inês Silva Mendes -10º C1
                  Imagem: Copyright - Rene Magrittene Magritte

Vergílio Ferreira - Pensar ou não Pensar? (I)


Relação entre o texto de Vergílio Ferreira, Pensar e a Alegoria da caverna de Platão.

O filósofo, na sociedade ocidental, ontem e hoje, tem sido visto por muitos como um gasto desnecessário de recursos. Os homens e mulheres que vivem a rotina mundana e se limitam a viver e a pensar somente no que lhes chega através dos sentidos não vêm qual é o valor de nos interrogarmos com aquilo que não tem benefício imediato, e, portanto, rejeitam e acham inútil o filósofo e o pensamento filosófico.

Esta situação está patente tanto na Alegoria da Caverna, de Platão, como no excerto de Pensar de Vergílio Ferreira. No primeiro texto, o prisioneiro que foi libertado das suas correntes e conduzido até ao mundo inteligível (onde se apercebeu que o que percecionava dentro da caverna- as sombras na parede e o som que parecia deles provir, eram ilusões), ao tentar libertar os seus companheiros para lhes mostrar o que tinha descoberto encontrou contra si uma enorme resistência. Os restantes prisioneiros pensavam que ele tinha enlouquecido; a viagem para fora da caverna tinha-o tornado demente e resistiam às suas tentativas de libertação. Como poderia ser que existisse mais alguma coisa que fosse mais verdadeira que o que tinham visto toda a sua vida?

No segundo texto, o excerto da obra de Vergílio Ferreira, expõe-se, do ponto de vista de um “indivíduo prático” que não se interroga sobre nada, de forma autónoma e radical, que seja do interesse de todos os homens, o que mais uma vez sugere a inutilidade da filosofia e do filósofo na sociedade.

Vendo o mundo desta forma, o autor, ironicamente, descreve o filósofo ou intelectual, como um chato complicado e maçador, um “cromo” com a convicção de que diz a verdade, que se respeita hoje apenas por questão de etiqueta. É um picuinhas.
Em vez de nos questionarmos com o que não tem resposta, porque não ver televisão ou ler um policial? Admite, contudo, no final do texto, que quando se dá baixa dos filósofos numa sociedade é a Humanidade como um todo que desce para o nível de uma “pocilga apenas com uma variedade de feitio”.

Em ambos os textos, a maioria das pessoas, em representação da sociedade, tendem a dar pouco relevo ao saber e função do filósofo. Caracterizam-no como alguém com ideias inúteis, ou que enlouqueceu. Menosprezam-no, e, por isso, prejudicam-se, quer por permanecerem numa “caverna” até ao fim da vida, sem nunca conhecerem o belo mundo do espírito, quer por descerem ao nível de homens enclausurados.

    José Trindade Nunes dos Santos, nº 12, 10º C1 
Imagem - Copyright: Alessandro Cocca

domingo, 15 de novembro de 2015

Atividade - Argumentação

 Dia da Filosofia – 11.º ano
Ficha de trabalho – Argumentação
Leia atentamente o texto.
111 « O intelectual. Que tipo. Será uma espécie em vias de extinção? Ele é o inútil, o complicado, o chato. No imediatismo prático, no dia a dia ofegante, na saturação de tudo, na opressão de quanto nos oprime, ele é uma espécie ininteligível que um pouco se respeita ainda por etiqueta, como usar casaca em certas cerimónias. Sugeria alguém que se suprimisse a filosofia do curso dos liceus. Há lá coisa mais compreensível? O filósofo, imagine-se. O das minhoquices. Um tipo que trabalha, que se desunha para compor a sua verdade, que há de ser posta para o lado pelo filósofo que se segue. Para quê um romance que nos chateia com a maçada de “ pensar”? Pensar o quê ? Se a vida é já tão maçadora? Não é mais saudável mudarmos para a TV? Ou lermos um policial? E os poetas, esses loucos mansos que não farão mal a ninguém mas nos atrapalham o trânsito? Assim eles se tramam, que têm de se ler uns aos outros. É um círculo fechado como o dos que aprendem um saber sem préstimo, excepto para o ensinarem a outros que o hão de ensinar a outros que o hão de ensinar. O intelectual. Que pícaro. Ele é um desperdício a dar baixa no ativo da humanidade.
          Há todavia um pequeno  pormenor maçador e é que a própria humanidade sofre com isso também uma baixa por tabela. É esquisito mas é assim. Porque, se não fossem esses chatos, a história dos humanos era apenas a da pocilga com apenas talvez uma variedade de feitio.»

                          Vergílio Ferreira, Pensar, Lisboa, Bertrand Editora, 1992, pp.99 -95.