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terça-feira, 11 de abril de 2017

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O século XVIII] (6)

O século XVIII fez avançar a razão. Mas ela, como Kant o pressentiu tinha no su inetrior elementos não racionais, aquilo que ele designou “A beleza vaga”, aquilo que se integra no abstrato, e que se distingue da “Beleza aderente”. Aquilo que o século XVIII nos faz interrogar é essa dicotomia entre o intelecto que assume uma forma de “sentir”, como num quadro de Watteau e um outro “sentir” adjacente à razão e permeável à gentileza. Este belo, dividido entre o intelecto e a razão introduzem-se no campo da imaginação, naquilo que a moral consegue definir. A superação desta divisão será feita por Kant com o seu conceito de sublime e será explorada pelo Romantismo com a sua exploração do conceito da “Beleza vaga”.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Jean-Antoine Watteau, A canção do amor, 1710-1720, Tate Gallery, Londres.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

Kant reconheceu na natureza um poder ilimitado e uma ideia de infinitude. Kant reconhecia-lhe uma confiança que transmitia um valor de positividade, valor que não era demonstrável, mas que conduziria ou influenciaria o homem para uma ideia de progresso humano. Mas a natureza era também uma fonte de limitação à vida e por isso essa harmonia não era susceptível de se tornar uma emoção universal. Na verdade o Sublime, estádio superior do Belo é o reconhecimento de uma dimensão muito importante da razão humana, a sua independência em relação à Natureza, pela descoberta de uma faculdade ligada à experiência do sensível.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Angelica Kauffmann, Auto.-retrato com o busto de Minerva, c. 1770, Uffizi, Florença.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

A Beleza também pode ser cruel e tenebrosa. É ainda Kant que o definiu. Nós temos uma razão que é independente da natureza e temos uma necessidade de encontrar uma fé nessa Natureza. A nossa razão pode desmaterializar um objecto compreendido e transformá-lo num conceito, ou ainda  pode tornar-se independente desse conceito. Dentro deste quadro, não poderão as coisas,as pessoas, a sociedade transformar-se num corpo manipulável? Assim, como se pode impedir as formas e os conceitos de planear o mal e a própria destruição da vida? Assim a Beleza pode ser uma máscara, atrás da qual se encontram os lados tenebrosos.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Grancisco Goya y Lucientes, O sono da razão gera monstros, 1797-1798, Kusthalle, Hamburgo.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O século XVIII] (5)

Nem sempre o século XVIII e em todos os lugares houve essa abertura e essa consagração do belo entre o homem sensível e a representação da natureza. Em Inglaterra William Hogarth não seduziu a sua construção de um belo narrativo, ou de uma representação pouco interessada no aspetos de classicidade da aristocracia britânica. A arte por vezes cria frustrações nas expetativas de um público que a consome e que não se revê em determinados valores. Don Juan de Mozart que prenuncia o início de um outro mundo mental é ainda quando representado olhado com alguma distância. A burguesia nem sempre gostou de se ver no espelho, ainda que seja de um génio.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: William Hogarth, Os criados da casa Hogarth, 1750-1755, Tate Gallery, Londres.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

O romance também deu conta do sentimento que  o século XVIII exprimiu. O diário íntimo
dará forma a esse sentimento, e lançará as sementes para o Romantismo. O romance do século XVIII avançará a ideia essencial para o futuro de que o sentimento não é uma perturbação criada pela mente, mas que é uma expressão da razão e da sensibilidade, o que revela ser um enriquecimento para a vida humana. O sentimento ao ser conquistado pela razão torna-se um elemento mediador de uma tirania que a razão poderia ter. Rousseau via no sentimento um antídoto para contrariar a beleza decadente e artificial e viu nele uma reconquista para o coração atingir uma beleza mais perfeita, mais íntima ou próxima da natureza.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Jacques-Louis David, Retrato de Madame Récamier, 1800. Museu do Louvre, Paris.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

Não é possível falar do século XVIII e da sua estética sem referir Immanuel Kant e a sua obra A Crítica da faculdade de Juízo, datada de 1790. Kant será o apogeu dos aspetos subjectivos ligado ao gosto que o século XVIII afirmou. A experiência estética do Belo, para Kant, revela uma natureza desinteressada. O Belo é algo que nos agrada de um modo desinteressado, sem que isso seja originado por um conceito. Assim, o gosto é uma faculdade humana que consegue julgar de um modo desinteressado um objeto, ou a sua representação, como é o caso da Arte. O prazer que uma representação nos dá através de um olhar é que é o belo. Assim a universalidade do belo torna-se um conceito subjetivo. Pode ser uma ideia inicial de um criador, mas não necessariamente terá de ser apreendido por um valor universal de natureza cognoscitiva.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: George Romney, Retrato de Lady Hamilton como Circe, c. 1782, Tate Gallery, Londres. 
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O século XVIII] (4)


Diderot e Winckelmann viram nas ruínas uma duplicidade de sentidos. A beleza das ruínas, no sentido de nelas compreender a efemeridade da ação humana e a ruína do tempo e igualmente uma fé que permita uma reconstrução, uma fidelidade a algo original. As descobertas feitas pela Arqueologia levaram Wincklemann a querer reconstruir uma pureza do passado, quase como a que Rousseau imaginou possível para o homem, simples, em oposição a construções elaboradas, fictícias quer no plano humano, quer na arquitectura.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Johann Heinrich Füssli, O desespero do artista perante a grandeza dos fragmentos antigos, 1778-1780, Kunsthaus, Zurique.

#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação


O século XVIII criou uma definição estética de grande inovação em relação ao Renascimnto e ao que foi o século XVII. O século XVIII criou uma relação que o aproxima do mundo contemporâneo, um diálogo relacional entre público e privado. É o século da afirmação do papel das mulheres em salões literários e da introdução de novos temas artísticos.  O século XVIII rompe com a tradição de dependência total do artista em relação ao seu mecenas. O início de uma “indústria” editorial dará aos artistas e pensadores alguma independência. Mozart teria tido mais chances económicas se tivesse vivido no século XVIII, quando um músico já era um pouco mais interessante que um cozinheiro. As histórias nacionais ganham importância como narrativa escrita e lida. Neste século surgem também os compiladores de livros mais populares e que fazem a divulgação dos temas mais pertinentes dos grandes temas políticos e filosóficos.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.

Imagem: François Boucher, O pequeno-almoço, 1739, Museu do Louvre, Paris.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Johann Heinrich Füssli, O desespero do artista perante a grandeza dos fragmentos antigos, 1778-1780, Kunsthaus, Zurique.
#Arazãoeabeleza;#Obelocomorepresentação


Os salões literários desempenharam um grande papel no século XVIII. O aumento da leitura daria à França a possibilidade de criar um terreno que irá favorecer a Revolução. A estética dividiu-se entre o Neoclassicismo e o Rococó. Se Napoleão seguiu o primeiro, o segundo era o emblema de um Antigo Regime de má memória. Desenvolve-se o espírito crítico. Nasce o crítico e aquele que apenas tem uma opinião. Addison e Diderot são o emblema de um período que oscila entre a imaginação como perceção e a beleza que se constrói entre a sensibilidade e a natureza. A imprensa foi essencial para a difusão destas ideias.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Jacques-Louis David, Retrato do casal Lavoisier, 1788, The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque.

#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O século XVIII] (3)

O neoclassicismo, ou se quisermos um novo classicismo procurou conciliar duas ideias diversas, mas que convergiram para a construção do espírito burguês. Justamente o rigor pelo que se assumia individualista e a paixão pela descoberta arqueológica. O individualismo construiu-se pela atenção dada ao domínio do privado que o domicílio vai assumir. A rigidez das normas é outra das suas vertentes. O novo classicismo procura impor uma nova Beleza, uma reformulação da beleza clássica, como uma nova Atenas, onde a razão tudo poderá entender. A paixão pela arqueologia fará despertar a curiosidade pelas terras distantes, pela procura de uma beleza diferente, exótica, que seja diferente dos ideais europeus. O antigo e original são dois dos valores por onde evoluirá o neoclassicismo. A arqueologia irá contribuir para fazer evoluir o gosto europeu. Descoberto o clássico grego como uma interpretação feita pelo século XV, o século XVIII tenta encontrar a fonte, do que poderá ser a “verdadeira” antiguidade.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem -Johann Heinrich Wilhelm Tischbein, Goethe na campina romana, 1787, Städelshes Kustinstitut, Frankfurt.
#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação

“A Beleza não é uma qualidade das coisas em si mesmas: só existe na mente que as contempla e cada mente percebe uma Beleza diferente. Também pode existir quem perceba uma Fealdade, onde outro experimenta uma sensação de Beleza; e cada um deveria satisfazer-se com o seu sentimento sem pretender regular o dos outros. Procurar a Beleza concreta ou a Fealdade concreta é uma busca tão infrutuosa quanto a de pretender estabelecer o que é realmente doce ou amargo; e é bem certo o provérbio que reconheceu a inutilidade da disputa à volta dos gostos. É absolutamente natural e até necessário estender este axioma ao gosto mental, independentemente do gosto corporal; e, assim, o senso comum que tão frequentemente se aparta da filosofia e especialmente da filosofia céptica, concorda, pelo menos num caso, com ela ao pronunciar o mesmo veredito.”

Fonte: David Hume, Ensaios morais, políticos e literários, XXIII, C. 1745..
Imagem –António Canova, As Graças, 1812-1816, Ermitage, São Petesburgo.
#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação

A segunda metade do século XVIII conhecerá uma iconografia de heróis e ruínas, entre corpos assombrados nesse universo que nos dá a ideia de que a estética neoclássica teve exigências diversas. As ruínas entendidas como algo belo é uma afirmação nova que se funda na procura de temas originais que ultrapasse os cânones. Se encontramos o racional, também encontramos a melancolia que admira uma ruína, como é o caso de David diante do corpo apunhalado de Marat. O quadro dá-nos uma mistura de sentimentos, uma certa frieza na reprodução de uma morte, os valores estóicos de um homem da Revolução Francesa, o que nos faz misturar Razão e Revolução. No quadro de David há sem dúvida a ideia de ruína da própria vida e a consciência que a História guardará torna-se irrecuperável na vida diária.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Jacques-Louis David, A morte de Marat, 1793, Museu de Belas Artes, Bruxelas.
#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O século XVIII] (2)

O lado luminoso da razão:
“[O homem que tem um temperamento sanguíneo tem como predominante o sentimento do Belo]. (…) O seu sentimento moral é belo, mas sem princípios, e depende sempre diretamente das impressões imediatas que a realidade provoca nele. É amigo de todos os homens ou, o que é a mesma coisa, nunca é verdadeiramente amigo, embora seja sempre cordial e benévolo. Não sabe fingir: hoje entreter-se-á convosco com amizade e maneiras corteses, amanhã, se estiverdes doentes ou vos encontrardes em desgraça, sentirá sincera e autêntica compaixão, mas nestas circunstâncias eclipsar-se-á pouco a pouco, até que as coisas tenham melhorado.
Nunca deve ser juiz porque, normalmente, as leis são para ele demasiado severas e ele deixa-se comover até às lágrimas. É um santo a meias, nunca verdadeiramente bom e nunca verdadeiramente mau.”

Immanuel Kant, Observações sobre o sentimento do belo e do sublime, II, 1764.
Imagem: Jean-Baptiste Chardin, A mestra, 1737, Museu da Galeria Nacional da Irlanda.
#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação

O classicismo motivado por uma exigência de maior adesão à realidade elevou o realismo das suas representações. O teatro tentou comprimir tempos e reduzir os lugares, nesta ideia de fazer coincidir o mais possível o tempo cénico e o do espetador. A Beleza construiu-se entre opostos, entre as referências do classicismo e do anticlassicismo, entre um belo exuberante e um outro mais estilizado, mais trágico. Racine foi um dos expoentes dessa construção de simultaneidade de opostos.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem – Jean-Honoré Fragonard, Coreso e Calliroe, 1760, Museu do Louvre, Paris.
#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação

Os palácios e os jardins também contrapõem as ideias estéticas do neoclassicismo e do barroco que o antecedeu. A arquitetura barroca surpreende, pois é feita de excessos, de um assinalável conjunto de linhas curvas, de repetições de formas que são quase redundâncias. Para o século XVIII essa noção de beleza parece-lhe estranha, pouco interessante para servir de modelo. Os Ingleses e a sua arquitetura deram-nos exemplos, de como mais do que criar ideias estéticas novas, bastaria seguir os exemplos da natureza, refletir a sua Beleza. Ao contrário do barroco, o Iluminismo não pretende encantar com excessos, antes dar uma referência de harmonia, uma composição equilibrada dos cenários.

Imagem: Villa Chigi, 1680, desenhado pelo Arquitecto Carlo Fontana (Estilo Barroco), Centinale, Toscania, Itália
#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O século XVIII] (1)

Quando Newton publicou em 1687, Dos Princípios da Filosofia Natural era um ciclo que se fechava e um outro que se iniciava. Se o livro de Newton configurava uma extraordinária aventura do pensamento humano, ele pelas informações que dava sobre os princípios mecânicos do mundo natural incentivou um conjunto de descobridores e inventores para que tudo fosse mais eficaz. Nos anos seguintes nasceria aquilo que se conhece como A Era das Revoluções. A industrial em primeiro lugar, a da razão iluminista e a das revoluções. O século XVIII é muitas vezes considerado como um século racional, cheio de coerência. O século XVIII foi também um século de extremos, de paixões e de sonhos, nem sempre pacíficos. Foi o século XVIII que inventou a noção de progresso, um conceito de evolução, como se ele fizesse parte da própria natureza das coisas. Nesta etiqueta a razão e a beleza viajaremos sumariamente pelos sonhos de beleza e razão do século XVIII.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
Imagem: Johann Zoffany, Charles Townley e os seus amigos na Townley Gallery, Townley Hall Art Gallery and Museum, Burney, Lancashire, 1781-1783.
#Arazãoeabeleza#Obelocomorepresentação

O século XVIII, muito embora seja pensado em diferentes fontes, como um período que se define por uma procura linear pela razão e ausente de contradições sabemos que não é assim. A razão do iluminismo convive com duas oposições, que são a manifestação de tantas outras ligadas à sociedade. É curioso que no século XVIII encontramos o expoente do pensamento iluminista com Kant, certamente um conjunto de ideias muito luminosas e por outro o Marquês de Sade, um espírito inquietante de um teatro de vida pouco luminoso. O Iluminismo viverá numa tentativa de conciliar a Beleza do Barroco, ainda ligada ao gosto aristocrático, a uma alegria de vida e um espírito neoclássico à procura do culto da razão.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Jean- Honoré Fragonard, O Baloiço, 1770, Coleção Wallace, Londres.
#Arazãoeabeleza#Obelocomorepresentação

O lado luminoso da razão:
“O homem que tem um temperamento sanguíneo tem como predominante o sentimento do Belo: as suas alegrias são estridentes e cheias de vida; quando não está alegre, está insatisfeito e conhece muito pouco a felicidade silenciosa. A variação é bela e ele gosta da mudança. Procura a alegria em si próprio e à volta de si, alegra os outros e é um bom companheiro. Sente fortemente a simpatia moral: a felicidade dos outros alegra-o, o seu sofrimento suscita a sua piedade.”

Immanuel Kant, Observações sobre o sentimento do belo e do sublime, II, 1764.
Imagem: Jean-Baptiste Chardin, O rapaz do pião, 1738, Museu do Louvre, Paris.
#Arazãoeabeleza#Obelocomorepresentação

quarta-feira, 8 de março de 2017

Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (6)

Na construção e representação do belo, a pintura entre Quatrocentos e Quinhentos trouxe uma evolução à ideia já existente da admiração da beleza. Esta deixou de aparecer como uma representação das partes admiradas para se constituir na Beleza supra-sensível. Essa beleza, ou esse sentido do belo atingiria uma dimensão mais elevada. Essa natureza do belo estaria presente nas figuras humanas, mas também na própria natureza. Uma das figuras que ajudou a definir essa representação do belo, essa beleza supra-sensível foi Marsílio Ficino, uma das figuras do neoplatonismo desenvolvido em Florença, na 2ª metade do século XV.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
Imagem – Sandro Boticelli, Alegoria da Primavera, (pormenor),c. 1478, Florença, Uffizi.

A pintura entre Quatrocentos e Quinhentos propõe uma nova concepção de beleza. Tenta ultrapassar a concepção de Beleza definida como proporção e harmonia e tenta juntar a sabedoria dos clássicos, reordená-la dentro de um sistema inteligível que seja portador do simbólico e harmonizá-la com o imaginário cristão. É uma concepção do Belo assente num grande valor simbólico. 
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
Imagem – Sandro Boticelli, Alegoria da Primavera, (pormenor),c. 1478, Florença, Uffizi.

A Beleza supra-sensível:
Na verdade, não há beleza mais autêntica do que a sabedoria que encontramos e amamos em qualquer indivíduo, prescindindo do seu rosto que pode ser feio e, não olhando precisamente para a sua aparência, procuramos a sua beleza interior. Mas, se ela não te comove a ponto de chamares belo a esse homem, nem sequer olhando para o teu íntimo poderás perceber-te como coisa bela. Nesta atitude, em vão a procurarás, porque estarias a procurá-la numa coisa feia e não pura. Por isso, estes nossos discursos não se dirigem a todos; mas lembra-te deles, se também tu te consideras belo”.
Plotino (século III), Enéades, V, 8
Imagem – Ticiano, Vênus de Urbino, 1538, Galeria de Uffizi, Florença.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (5)

A beleza mágica da pintura entre Quatrocentos e Quinhentos passou pelas ideias de modernismo de Alberti e pelo seu Tratado de Pintura, onde surge uma teoria perspectivista da arte de olhar.
Diz Alberti, “a pintura, não será outra coisa que a intersecção da pirâmide visual segundo uma distância dada, estando o centro da visão colocado a luzes dispostas numa certa superfície representada com arte por meio das linhas e das cores”.
Alberti marcará o Renascimento e dará às ideias da cultura clássica um novo alvorecer. Com ele floresce essa luz criada pela magia da arte europeia entre Quatrocentos e Quinhentos, com destaque para a pintura, onde o quadro é uma janela aberta. Dentro da janela o espaço multiplica os planos, onde a organização se faz segundo uma sucessão de aprofundamentos que se integram e se modelam pela luz e pela cor. Nesta pintura que se desenvolve entre Quatrocentos e Quinhentos o papel da pintura flamenga e da pintura a óleo são indissociáveis neste movimento. É esse tratamento a óleo que permite construir um efeito de magia no sentido em que as figuras parecem envolvidas e mergulhadas numa luminosidade que excede o natural.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.

#Abelezaentrequatrocentosequinhentos
#Obelocomorepresentação

Imagem – Jan Van Eyck, Virgem do chanceler Rolin, c. 1435, Museu do Louvre, Paris

Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (4)

A beleza mágica da pintura entre Quatrocentos e Quinhentos foi construída primeiramente como um diálogo entre a imitação da natureza e a procura de uma perfeição inventiva. Para este enobrecimento do belo como recriação da natureza deveu muito a dois tipos de invenções. 
A primeira foi o aperfeiçoamento das técnicas de representação da perspectiva desenvolvido por Brunelleschi Imitação e invenção. Reprodução da realidade observada e renovação da mesma pela visão do observador. Filippo Brunelleschi foi arquitecto, escultor renascentista e concluiu a cúpula da catedral de Santa Maria del Fiore em Florença.

#Abelezaentrequatrocentosequinhentos
#Obelocomorepresentação

Imagem – Cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, Forença, séc. XV.

Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (3)

Ainda com o jogo de dualidade entre a imitação e a inventividade do período entre quatrocentos e quinhentos. E ainda as palavras de um mestre, alguém que encontrou a luz, espelhada numa forma de criação.
“Queto que os jovens […] aprendam a desenhar bem os contornos das superfícies e se exercitem como nos primeiros elementos da pintura; depois, aprendam a juntar as superfícies e aprendam cada forma distinta de cada membro, e mandem para a mente qual é a diferença que existe em cada membro. […] E, assim, o pintor examina todas as coisas que, estando num membro a mais ou a menos, os faz diferentes. E note ainda quando vemos que os nossos membros infantis são redondos, quase feitos ao torno e delicados; na idade mais provecta são ásperos e angulosos. Assim, o pintor estudioso conhecerá todas estas coisas a partir da natureza e examiná-las-á consigo mesmo muito assiduamente, de modo que cada um esteja, e continuamente estará, desperto com os olhos e com a mente nesta investigação e obra.”
Leon Battista Alberti, Da pintura, 1435

#Abelezaentrequatrocentosequinhentos
#Obelocomorepresentação

Imagem –Domenico Ghirlandaio, Retrato de mulher jovem, C. 1485, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa.

Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (2)

O poder do pintor:
O pintor é dono de todas as coisas que podem cair no pensamento humano; porque, se ele desejar ver belezas que o apaixonem, será senhor de gerá-las e, se quiser ver coisas monstruosas que espantem ou que sejam histriónicas ou ridículas ou verdadeiramente lastimáveis, ele é seu senhor e criador. E, se quiser gerar sítios desertos, lugares sombrios ou frescos nos tempos quentes, figurá-los-á e também lugares quentes nos tempos frios. Se quiser vales, o mesmo; se quiser dos altos cumes dos montes descobrir uma grande campina e se quiser depois ver o horizonte do mar, será capaz disso; e, assim também se, dos fundos dos vales, quiser ver os altos montes, ou dos altos montes, os fundos vales e as praias. E, com efeito, o que está no universo  por essência, presença ou imaginação, ele o tem primeiro na mente e, depois, nas mãos que são de tão grande excelência que ao mesmo tempo criam uma proporcionada harmonia num só olhar como as coisas fazem.
Leonardo da Vinci, Tratado de pintura, VI, 1498

Imagem - Leonardo da Vinci, A viagem dos rochedos, C. 1482, Paris, Museu do Louvre

Conteúdos na rede - A representação do belo - [1400/1500] (1)

Entre quatrocentos e quinhentos a beleza e a criação artística criaram algo que poderíamos chamar de mágico. A descoberta da perspectiva na Itália, ou a difusão de novas técnicas pictórias, ou a influência das ideias de Platão alteraram a representação do belo. Não é exagerado que a luz como algo a desfrutar foi por esse conjunto de artistas dado ou revelado ao futuro. Nesses dois séculos a representação do mundo visível era o meio para o conhecimento de uma realidade que estava organizada segundo regras coerentes. O artista era assim criador de uma novidade e ainda assim imitador da natureza. Na imitação estuda o que parece fiel à natureza, na criação constrói a inovação técnica e não realiza a repetição das formas.

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Imagem: Sandro Boticelli, Senhora de Magnificat, C. 1482, Florença, Uffizi.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Conteúdos na rede (A arte grega) - (6)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!

A arte grega entre muitos dos seus fundamentos perseguiu uma ideia de beleza. Essa ideia passou por diversas evoluções. Devemos, no entanto destacar a relação entre o belo e a proporção dos objectos. Os gregos foram os primeiros a procurar uma inteligibilidade do mundo, a reconhecê-la. Essa inteligibilidade significa olhar o mundo como tendo uma forma. Essa relação foi vista em primeiro lugar por Pitágoras que terá uma influência significativa numa leitura que permitirá ligar a matemática, a visão do mundo grega, a ciência e a ideia estética do belo. A estética de Pitágoras concebe uma organização do universo ordenado e compreensível. A existência e a beleza são reconhecidos como elementos inteligíveis apenas porque nessas realidades é possível encontrar leis matemáticas que as verificam. Um dos campos onde esse princípio se verifica é justamente na arquitectura. Os espaçamentos entre as diferentes partes de uma fachada de um templo correspondem a relações que são semelhantes aos que dividem os intervalos musicais. O que significa que foram os pitagóricos que souberam realizar uma evolução notável, a que fez evoluir um conceito apenas aritmético do número para um conceito de geometria espacial. O número como representação ganha entre os gregos uma dimensão de relação que interliga diferentes pontos.
Imagem - João Paulo Proença
#Umaobradeartepordia

Conteúdos na rede (A arte grega) - (5)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!

Busto em mármore de Praxíteles - século IV. a.C. - Atenas
"Rochas compósitas, feitas de lavas vulcânicas e de sedimentos arrastados pela água, amálgama com milhares de séculos de idade. E a sua forma exterior perpetuamente trabalhada, esculpida de novo pelo ar e pela água.
O teu corpo composto – três quartos de água, mais um punhado de minerais terrestres. E essa grande chama em ti de que desconheces a natureza. E nos teus pulmões, sorvido e libertado sem cessar no teu tórax, o ar, esse belo estrangeiro, sem quem não podes viver."
Marguerite Yourcenar. (1980). “Écrit dans un jardin”. Montpellier: Fata Morgana.

#Umaobradeartepordia

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Conteúdos na rede (A arte grega) - (1)

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Esta viagem tem sido dedicada durante diferentes semanas à arte grega, como parte do suporte do Projeto Arte e Filosofia. Antes de a iniciarmos deixamos um post prévio sobre algo que foi um espaço civilizacional de grande importância no Mediterrâneo Oriental e que influenciaria a Civilização Grega.

Neste espaço desenvolveram-se as chamadas Civilizações do EgeuNo Mediterrâneo Oriental encontramos o espaço que ficou conhecido como o "Egeu", que é mais do que um conceito geográfico, ele identifica as civilizações que se desenvolveram no terceiro e segundo milénio antes de Cristo. Uma delas é designada de Minóica ou de Creta.  Encontramos três entre 3000 a.C., e 1450 a.C.:
  1. Civilização Cicládica -  Civilização do começo da Idade do Bronze, nas Ilhas Cíclades;
  2. Civilização Minóica ou Cretense - Civilização que se desenvolveu na Ilha de Creta;    (entre 2700 e 1450 a.C.); 
  3. Civilização Micénica - Refere-se à cultura dos Aqueus, um povo que se estabeleceu na costa sudoeste da Grécia (estabeleceu-se no período final da Idade do Bronze).
A civilização que se desenvolveu no Egeu foi durante muitos séculos conhecida através da narração da Guerra de Tróia por Homero. As escavações do século XIX trouxeram um conjunto de materiais que foram sendo revelados, embora com limitações devido à dificuldade de conhecer a escrita Minóica. A civilização Minóica foi a mais rica do Mundo Egeu. Também a mais estranha pois vítima de uma interrupção que parece ter sido causada por um acidente natural.

A civilização que se desenvolveu em Creta praticava uma agricultura desenvolvida com especial destaque para os cereais, o azeite, o vinho e a criação de animais. O comércio foi no entanto a base da sua economia. Esta civilização desenvolveu muito o comércio no mar Egeu oferecendo produtos fabricados pelos seus artesaõs. É a primeira civilização no Mediterrâneo a conceber-se como sustentada na sua essência pelo mar.

Creta era uma sociedade muito influenciada pela religião, com destaque para a deusa-Mãe, uma divindade que governava o Universo e era igualmente símbolo da fertilidade. No campo das artes, esta civilização destacou-se na pintura com frescos de grande apelo visual, ou ainda esculturas de metais, jóias e peças de cerâmica. 

As imagens acima representam dois frescos do palácio de Cnossos. A época dos palácios na civilização Minóica incentivou o desenvolvimento da pintura. Surgem objetos em cerâmica com um nível de perfeição técnica muito elevada. Surge-nos o conceito de espiral e de movimento. A pintura Minóica privilegiou a vida marinha ou a representação de motivos ligados à natureza.

A ligação entre as civilizações do Egeu e a civilização grega são muito notórias, pois na mitologia Minóica surge o mito cretense do Minotauro, representado por um homem com cabeça de touro e que seria morto pelo herói grego Teseu. Da cultura Minóica saíram igualmente os mitos de Dédalo e Ícaro. Existem nestas civilizaçãos do Egeu pontos de ligação ao mundo grego, embora este seja mais complexo e mais abrangente como construção de uma sociedade humana.

Imagens - Frescos do Palácio de Cnosos. Creta. Civilização Minóica. 2500 a.C.

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A representação do belo - Grécia (12)


O belo na representação da arte, a fruição estética da criação!

Temos visto que os pitagóricos redefiniram o conceito do número. Uma das relações que foram estabelecidas foram as relações matemáticas com os sons musicais e que proporções se definiam entre os intervalos dos sons e ainda a relação entre o comprimento de uma corda e a altura de um som. A ideia do belo também se representa pela ideia de harmonia musical. Boécio na Idade Média confirmou esta ideia de harmonia dos pitagóricos lembrando uma observação feita por Pitágoras. Num dado dia, um ferreiro colocara martelos de diferentes pesos que criavam sons proporcionais a essa dimensão. Boécio é uma das fontes de registo das ideias dos pitagóricos. Sabemos que com eles a música influenciava diferentes estados de espírito. O ato de adormecer e acordar era realizado pelas pitagóricos como forma de verificação a modulação do som e o efeito em cada pessoa. Talvez nem sempre o percebamos, mas a representação do belo também se faz pela música e por esta ideia pitagórica de proporção.
Fonte: Umberto Eco. 2004). História da Beleza. Algés: Difel.

A representação do belo - Grécia (12)


O belo na representação da arte, a fruição estética da criação!

É por todos conhecida a ligação entre a civilização grega e o Renascimento. Os pitagóricos fizeram do número uma grandeza que permitiu evoluir do conceito aritmético ao geométrico e espacial. Inventaram o tetraktys que é na verdade um triângulo em que o ponto central está equidistante dos pontos que formam o triângulo equilátero, que significa com três lados iguais. É possível dar continuidade à série de cada ponto, de modo que se obtem uma figura, um "reticulado potencialmente infinito". Os pitagóricos descobriram nestas harmonias geométricas uma forma de belo, um sentido inteligível do universo, pois as harmonias aritméticas tinham correspondência em harmonias geométricas.
Imagem - Michelangelo Buonarroti, Estudo para a sala dos livros raros da bibioteca Laurenziana, Florença, c. 1516.

A representação do belo - Grécia (11)

O belo na representação da arte, a fruição estética da criação!

A arte helenística é o último momento da expansão grega. Podemos situá-la entre os séculos IV e I a.C., ou seja entre a morte de Alexandre e a ocupação romana. Nesta fase a difusão da civilização grega fez-se do Mediterrâneo oriental à Ásia central, tendo as conquistas de Alexandre sido muito relevantes nesta expansão. Período de grande apogeu da civilização grega com referências na ciência tão significativas como Euclides ou Arquimedes. Foram fundadas muitas cidades tão importantes como Alexandria ou Antioquia. Se a matemática se desenvolveu no helenismo, igualmente assistimos ao florescimento da astronomia, da medicina, da geografia, da gramática e da literatura. Também na filosofia se observa o aparecimento dos estóicos e dos epicuristas, ou do neoplatonismo. Nomes como Demócrito ou Heráclito são da maior importância para aquilo que foi a explosão grega. A arte helenista procurou o valor expressivo do sublime. Procurou cultivar conceitos como o expressionismo, o naturalismo numa apresentação de intensidade dramática. A escultura grega do período helenista tenta encontrar a representação de diferentes formas de realidade. 
Para isso socorreu-se do Tratado do Sublime de Longino, onde os sentimentos prevaleciam sobre a representação física. A arte grega helenística privilegiou assim o pathos sobre o ethos. O sublime que os gregos buscaram era já não uma ideia de beleza, mas um sentimento, e nesse sentido transcende a própria noção de belo. A escultura desta fase abre-se à imaginação do observador e ao mesmo tempo procura revelar sentidos de espanto e inquietação.
Imagem – Vénus de Milo: datada de 100-190 a.C, feita em mármore, tem altura de 198 cm. Parece muito óbvia a influência de Praxíteles e Lisipo na sua construção. A Vénus de Milo deve esse nome ao fato de ter sido descoberta na ilha grega de Milos, no século XIX. Está em exposição no museu do Louvre.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A representação do belo - Os textos (7)

Beleza das formas geométricas
Platão (séculos V - IV a.C.) 
Timeu, 55e-56c
Mas, deixando isto de parte, distribuamos os géneros que obtivermos com o raciocínio, em fogo, terra, água e ar.
E à terra damos a forma cúbica.
De facto, dos quatro géneros é o mais móvel e o mais plasmável dos corpos. E, sobretudo, é necessário que seja tal o que tem as bases mais sólidas. Dos triângulos que pusemos no início, a base dos que têm lados iguais sobre as bases é por sua natureza mais sólida do que a daqueles que têm lados desiguais.
E das superfícies compostas de um e de outro triângulo, o tetrágono equilátero e´, necessariamente, mais estável do que o triângulo equilátero tanto em relação às partes como ao conjunto.
Por isso, atribuindo isto à terra, salvamos o raciocínio verosímil. à água daremos a forma que, das remanescentes, for a mais difícil de se mover: ao fogo, a mais móvel e ao ar, a do meio. [...]
Depois, é preciso que todas estas formas sejam concebidas de tal modo pequenas que, pela sua pequenez, cada parte individual de cada género não seja, de modo nenhum, visível para nós, ao passo que, quando se reúnem todas, se vêem as suas massas. E no que concerne às proporções que se referem à quantidade e aos movimentos e a todas as outras potências, deve-se dizer que Deus as harmonizou - na medida em que, por actividade espontânea ou persuasão recebida, a natureza da necessidade se submeteu - , depois de as ter levado à sua realização em toda a parte com exactidão segundo relações numéricas.

Imagem: Peça de arte grega, denominado Cálice Ático do tipo de cerâmica negra com figuras vermelhas. É atribuído a Édipo; século V a.C., Museu do Vaticano.
Fonte: Umberto Eco. (2004). História da Beleza. Lx: Difel.