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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Conteúdos na rede (A arte grega) - (6)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!

A arte grega entre muitos dos seus fundamentos perseguiu uma ideia de beleza. Essa ideia passou por diversas evoluções. Devemos, no entanto destacar a relação entre o belo e a proporção dos objectos. Os gregos foram os primeiros a procurar uma inteligibilidade do mundo, a reconhecê-la. Essa inteligibilidade significa olhar o mundo como tendo uma forma. Essa relação foi vista em primeiro lugar por Pitágoras que terá uma influência significativa numa leitura que permitirá ligar a matemática, a visão do mundo grega, a ciência e a ideia estética do belo. A estética de Pitágoras concebe uma organização do universo ordenado e compreensível. A existência e a beleza são reconhecidos como elementos inteligíveis apenas porque nessas realidades é possível encontrar leis matemáticas que as verificam. Um dos campos onde esse princípio se verifica é justamente na arquitectura. Os espaçamentos entre as diferentes partes de uma fachada de um templo correspondem a relações que são semelhantes aos que dividem os intervalos musicais. O que significa que foram os pitagóricos que souberam realizar uma evolução notável, a que fez evoluir um conceito apenas aritmético do número para um conceito de geometria espacial. O número como representação ganha entre os gregos uma dimensão de relação que interliga diferentes pontos.
Imagem - João Paulo Proença
#Umaobradeartepordia

Conteúdos na rede (A arte grega) - (5)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!

Busto em mármore de Praxíteles - século IV. a.C. - Atenas
"Rochas compósitas, feitas de lavas vulcânicas e de sedimentos arrastados pela água, amálgama com milhares de séculos de idade. E a sua forma exterior perpetuamente trabalhada, esculpida de novo pelo ar e pela água.
O teu corpo composto – três quartos de água, mais um punhado de minerais terrestres. E essa grande chama em ti de que desconheces a natureza. E nos teus pulmões, sorvido e libertado sem cessar no teu tórax, o ar, esse belo estrangeiro, sem quem não podes viver."
Marguerite Yourcenar. (1980). “Écrit dans un jardin”. Montpellier: Fata Morgana.

#Umaobradeartepordia

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Conteúdos na rede (A arte grega) - (4)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!

 Os templos gregos expressam essa ideia de equilíbrio na formas, de harmonia nos espaços e de uma proporção ajustada ao Homem. Os templos são o maior símbolo desta preocupação que se construíam nas diferentes cidades-estado. Era no templo que se fazia o culto aos deuses, mas ao contrário de outras civilizações não era importante a adoração junto da estátua, mas sim no exterior, a colunata que rodeava o templo. Nos templos gregos há um aspecto que se destaca de uma forma clara, são as colunas. Foram construídas de diferente modo conforme as épocas e por isso as colunas podem ser agrupadas em ordens arquitectónicas: a ordem dórica, a ordem jónica e a ordem coríntia. Estas ordens distinguiam-se em relação aos elementos de base das colunas, os elementos de suporte e os elementos superiores.
#Umaobradeartepordia

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Conteúdos na rede (A arte grega) - (3)




Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!
A arquitectura grega foi uma das áreas que a civilização grega procurou definir os valores de harmonia e proporção. Recebendo em herança a arquitectura da civilização minóica a civilização grega utilizou o espaço mais característico dos palácios reais dos aqueus – o megáron estaria na origem de muitos templos gregos.
Esses elementos mantiveram-se nos espaços do prothyron (pórtico de entrada), no prodomos (sala de antecâmara) e no domos (grande sala com quatro colunas). Com o fim da civilização micénica as migrações dos Dórios e dos Jónios construíram os elementos de uma sociedade que formulou um sistema cultural intemporal.
A arquitectura grega é um dos elementos que permite compreender a civilização grega, pois ela procurou juntar no pensamento racional e na geometria um valor de unidade e de harmonia entre o Homem e o Universo que encontramos na essência da explosão da aventura grega.
Imagem: Partenon, séc V a.C. - Acrópole de Atenas

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Conteúdos na rede (A arte grega) - (2)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!
Ressurgiremos
Ressurgiremos ainda sob os muros de Cnossos
E em Delphos centro do mundo
Ressurgiremos ainda na dura luz de Creta


Ressurgiremos ali onde as palavras
São o nome das coisas
E onde são claros e vivos os contornos
Na aguda luz de Creta


Ressurgiremos ali onde pedra estrela e tempo
São o reino do homem
Ressurgiremos para olhar para a terra de frente
Na luz limpa de Creta



Pois convém tornar claro o coração do homem
E erguer a negra exactidão da cruz
Na luz branca de Creta 


SOPHIA, alguns poemas, algumas palavras - II, "Ressurgiremos", in Livro Sexto (1962)
(Na lembrança de uma civilização que existiu no mar Egeu, muito antes dos Gregos e que desenvolveu uma arquitectura e uma pintura feita de uma representação humana já com noções de realismo, elasticidade e de grande ritmo.
Imagem - fresco minóico do palácio de Cnossos - Creta.
#Umaobradeartepordia

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Conteúdos na rede (A arte grega) - (1)

As páginas de conteúdos digitais têm agregado no Facebook e no Twitter, uma etiqueta que aqui se irá dando conta de um modo progressivo, justamente: #Umaobradeartepordia

Esta viagem tem sido dedicada durante diferentes semanas à arte grega, como parte do suporte do Projeto Arte e Filosofia. Antes de a iniciarmos deixamos um post prévio sobre algo que foi um espaço civilizacional de grande importância no Mediterrâneo Oriental e que influenciaria a Civilização Grega.

Neste espaço desenvolveram-se as chamadas Civilizações do EgeuNo Mediterrâneo Oriental encontramos o espaço que ficou conhecido como o "Egeu", que é mais do que um conceito geográfico, ele identifica as civilizações que se desenvolveram no terceiro e segundo milénio antes de Cristo. Uma delas é designada de Minóica ou de Creta.  Encontramos três entre 3000 a.C., e 1450 a.C.:
  1. Civilização Cicládica -  Civilização do começo da Idade do Bronze, nas Ilhas Cíclades;
  2. Civilização Minóica ou Cretense - Civilização que se desenvolveu na Ilha de Creta;    (entre 2700 e 1450 a.C.); 
  3. Civilização Micénica - Refere-se à cultura dos Aqueus, um povo que se estabeleceu na costa sudoeste da Grécia (estabeleceu-se no período final da Idade do Bronze).
A civilização que se desenvolveu no Egeu foi durante muitos séculos conhecida através da narração da Guerra de Tróia por Homero. As escavações do século XIX trouxeram um conjunto de materiais que foram sendo revelados, embora com limitações devido à dificuldade de conhecer a escrita Minóica. A civilização Minóica foi a mais rica do Mundo Egeu. Também a mais estranha pois vítima de uma interrupção que parece ter sido causada por um acidente natural.

A civilização que se desenvolveu em Creta praticava uma agricultura desenvolvida com especial destaque para os cereais, o azeite, o vinho e a criação de animais. O comércio foi no entanto a base da sua economia. Esta civilização desenvolveu muito o comércio no mar Egeu oferecendo produtos fabricados pelos seus artesaõs. É a primeira civilização no Mediterrâneo a conceber-se como sustentada na sua essência pelo mar.

Creta era uma sociedade muito influenciada pela religião, com destaque para a deusa-Mãe, uma divindade que governava o Universo e era igualmente símbolo da fertilidade. No campo das artes, esta civilização destacou-se na pintura com frescos de grande apelo visual, ou ainda esculturas de metais, jóias e peças de cerâmica. 

As imagens acima representam dois frescos do palácio de Cnossos. A época dos palácios na civilização Minóica incentivou o desenvolvimento da pintura. Surgem objetos em cerâmica com um nível de perfeição técnica muito elevada. Surge-nos o conceito de espiral e de movimento. A pintura Minóica privilegiou a vida marinha ou a representação de motivos ligados à natureza.

A ligação entre as civilizações do Egeu e a civilização grega são muito notórias, pois na mitologia Minóica surge o mito cretense do Minotauro, representado por um homem com cabeça de touro e que seria morto pelo herói grego Teseu. Da cultura Minóica saíram igualmente os mitos de Dédalo e Ícaro. Existem nestas civilizaçãos do Egeu pontos de ligação ao mundo grego, embora este seja mais complexo e mais abrangente como construção de uma sociedade humana.

Imagens - Frescos do Palácio de Cnosos. Creta. Civilização Minóica. 2500 a.C.

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