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terça-feira, 5 de abril de 2016

O valor das Humanidades (II)

As Humanidades e as Ciências. Pensemos primeiro nas Ciências. Estas mostram-nos tudo o que aconteceu, o que acontece seguindo determinados padrões de autenticidade. Todos esses padrões podem ser verificados empiricamente, não podendo ser atingidos com outros procedimentos. 
Olhemos agora, um pouco para as Humanidades.
Estas são como o próprio nome indica parte do ser humano e manifesta-se no seu desejo de criar a beleza e elevar o seu espírito. São estas que caracterizam o Homem, constituem o que podemos chamar, "O incomensurável". Isto é, algo que o coração procura para se sentir completo, pois o "medível", ou seja o conhecimento científico, não basta para o satisfazer.
Assim, as Artes, a música, a pintura, a leitura... qualquer uma são expressões de formas de pensar e de sentir de pessoas. Essa possibilidade concede a cada um de se envolver nessa expressão, de se integrar em formas de vida únicas que escapam à própria realidade. Sabemos que as Humanidades têm vindo a perder importância na sociedade global.
Os factores económicos, a rentabilidade profissional, a dinâmica social fez perder importância aos estudos humanísticos. A leitura é um dos casos que ilustra esta evolução.
O livro é um objecto em desvalorização. O digital tem ajudado a esta perda de valor do livro em suporte em papel. Imagina-se que o acesso com novas tecnologias produzirá os mesmos efeitos. Não é verdade.
Umberto Eco explicou-nos que um livro em suporte de papel é para ler no sentido de aprender, um Tablet pesquisa-se informação, não se lê aí no sentido mais particular do termo. No livro podemos sentir a textura de cada página, cheirar cada folha, deixar nele as nossas memórias visuais, absorver as palavras e lembrar os tempos dessa memória. A leitura no suporte de papel devolve-nos de modo mais fidedigno a essência das palavras deixadas no leitor. A diminuição da importância das Humanidades é de algum modo o fim deste universo. Pensemos na questão, o que seria o mundo, com estudos humanísticos desvalorizados?
Seria um mundo sem sentido, o nosso sentido, aquilo com que sentimos o que nos rodeia. Um mundo com falta de curiosidade, com menos energia para alimentar a imaginação. Assim, penso que posso concluir dizendo que as Humanidades não nos podem ser indiferentes, pois ao contrário das Ciências permitem imaginar mundos, acima do "como", o real como ele existe. A desvalorização das Humanidades é a desvalorização do elemento humano nas sociedades, é a desvalorização da essência mais vital do Homem.

Catarina Ventura, 10ºC1
Imagem - Fragmentos de João Legnano (1383) 
Jacobello dalle Masegne - Museu de Bolonha

O valor das Humanidades (I)

Encontramo-nos em perigo de nos tornar uma sociedade de análise e descrição do mundo. Faz-me sentir uma valorização intensa das ciências, que tentam explicar o mundo, em detrimento das Artes e Humanidades, que tentam dar significado ao mundo que se descobre.
As humanidades, em conjunto com as Artes formam a área intelectual que dá a liberdade de criar tanto quanto se imagina - e por vezes apenas a partir do seu pensamento. E, quando se tira esta liberdade a um ser consciente e racional com uma autenticidade para criar, acabamos com um robot.
Enquanto as Ciências pretendem estabelecer a linha entre o preto e o branco, a verdade e a mentira, o correto do incorreto, as Humanidades reconhecem a existência de áreas difusas de incerteza que ainda não temos o poder de compreender.
As Humanidades reconhecem cada caso tendo em atenção a sua singularidade, enquanto as Ciências recorrem à estatística do conjunto. São, por isso, as Humanidades que fazem da Humanidade o conjunto de indivíduos autónomos e diversos e por isso ajudam à construção de homens que não são apenas uma amálgama de matéria orgânica organizada. O homem, não o devemos esquecer, é um ser pensante e reflexivo que se exprime em histórias

José Soares Nunes dos Santos - 10ºC1
Imagem - Escultura: Grécia Antiga - período clássico

domingo, 29 de novembro de 2015

Vergílio Ferreira - Pensar ou não Pensar? (V)

Este texto de Vergílio Ferreira combina ironia com metáforas formando um excerto sobre a arte de pensar e os próprios pensadores.

 Este autor simboliza o pensamento e o ato de pensar na sua integridade e complexidade. Na opinião deste tão célebre escritor, a mentalidade da sociedade neste século e também um pouco no século passado tem decaído acentuadamente deixando as pessoas mais incultas e com incapacidade de pensar em soluções para os atuais problemas sociais. Devido à maneira de ver o mundo, de vários países, e a falta de educação em certas partes do globo,   debatemo-nos com as consequências graves deste século. Como, por exemplo, os ataques terroristas que são uma prova de ignorância profunda das desumanas almas capazes destas atrocidades, como matar pessoas sem razão. Por este exemplo, e por muitos mais tão graves, concordo com a frase sarcástica de Vergílio Ferreira, "Sugeria alguém que se suprimisse a filosofia dos curso dos liceus”!

Parecendo que não o liceu faz parte de uma das fases mais importantes da vida, pela qual passamos. São três anos sem os quais não conseguiríamos viver equilibradamente o nosso destino. Sendo estes anos tão importantes devido à inocência e às influências exercidos sobre muitos dos jovens de hoje em dia, a filosofia desempenha um “papel insubstituível”.
Esta disciplina ensina-nos a compreender o mundo em todas as suas vertentes, todos os pontos de vista e até os pensamentos que lhes deram origem. Mas será que, como no exemplo referido a cima, os terroristas só cometem tão horrendas ações devido à falta de estudos ou consciência? Ou será também devido ao ambiente em que nasceram e cresceram?

Esta pergunta leva-nos ao próximo texto “a Alegoria da Caverna”. Outro texto indispensável a um aspirante de qualquer disciplina. Este tão célebre diálogo entre Glauco e Sócrates, direciona a visão do leitor para a nossa fragilidade e para como somos seres de hábitos. Mostra também que nos habituamos às condições em que vivemos mesmo que sejam muito precárias, ou demasiado luxuosas, esquecendo-nos muitas vezes que vivemos num mundo ilusório que não nos leva ao principal objetivo do ser humano, que desde que nasceu, é ser verdadeiramente feliz. No entanto, a maioria dos homens não se questiona sobre o verdadeiro sentido da vida que leva à felicidade. 

Sendo assim encontramos as palavras que unem estes textos entre si, “ O Homem” e a educação do mesmo. Também conseguimos concluir que não é só devido ao ensino ou à falta dele que somos como somos, mas também depende das condições em que vivemos e dos desafios que nos colocamos. Chegamos a esta conclusão mesmo sabendo que a verdade não é constante nem aceitável a todos, sendo os que se esforçam mais para chegar a esta são os filósofos. 

A filosofia encaminha-nos a uma descoberta da sabedoria, que nos permite compreender o mundo em que vivemos, o sentido da realidade, como viver uma vida plena e digna, sobretudo, aprender a conhecermo-nos a nós mesmos. Só assim, a Humanidade pode construir um mundo espiritual onde seja possível viver com os outros seres em total respeito e procurando construir um Mundo Melhor.   - Madalena Rosa 10º C 1 nº 13

sábado, 28 de novembro de 2015

A alegoria da Caverna


 A Alegoria da Caverna é um texto da autoria de Platão, cujo principal objectivo é educar as pessoas, mostrando, simultaneamente, a importância da Filosofia.
Este texto é, como a maioria dos textos do filósofo, de natureza dialógica, em que um ser superior, neste caso Sócrates, vai fazendo perguntas a outro ser, este menos sábio, aceitando todas as suas respostas de forma a chegar a um ponto em que este perceba as contradições admitidas na sua mente, revelando a sua ignorância.

A obra, em si, fala-nos de uns homens que vivem numa caverna, que possui uma entrada, virada para a luz, da qual se sai escalando um caminho íngreme que sobe. Esses homens estão no interior da caverna desde a sua infância, acorrentados e sem se poderem mexer, nem sequer trocar de posição ou voltar a cabeça para ver algo que não esteja diante deles e a que sempre estiveram habituados a acreditar.
Nessa caverna há também uma fogueira, cujo papel é refletir tudo o que se passa no exterior, sob a forma de sombras. Essas sombras correspondem à única coisa que os prisioneiros vêem, uma simples reflexão da realidade.

Ora, certo dia, um desses prisioneiros é libertado, e dirige-se para a entada, de onde vem a luz. Tudo aquilo é novo para ele, uma vez que desde pequeno se habituou ao escuro.
Percorre então o caminho que sobe, chegando ao exterior da caverna. Depois de uns minutos necessários para se habituar, o  homem (que a partir do momento que se soltou já não pode ser mais chamado de prisioneiro) começou a observar o que até então tinha dado origens às sombras. Descobriu então as Formas ou Ideias, distinguindo-as dos vultos escuros que sempre lhe fizeram companhia.

Esse homem começou, pois, a questionar-se sobre o que via, sobre a verdadeira essência das coisas.
Então, movido por uma certa compaixão pelos seus “colegas de cela”, voltou ao interior da caverna, com o objectivo de contar o que vira, levando os outros na mesma viagem.
Porém, os planos não correram como planeados, pois quando contou aos outros sobre o que vira e descobrira, estes não acreditaram e mataram-no, só por  ele pensar de forma diferente.
Isto é muito semelhante ao que aconteceu a Sócrates, que foi morto pelos Sofistas, uma vez que punha em causa os seus métodos  de ensino e forma de pensar. (Na realidade, todas as obras de Platão relatam o que aconteceu com Sócrates, uma vez que, na opinião do autor, este era um dos maiores sábios que alguma vez existira e que ser condenado à morte foi a maior «injustiça» de sempre.)

Após a leitura desta obra, percebemos que estamos perante uma alegoria, em que a ignorância é representada pela caverna e a sabedoria pelo Sol. Os prisioneiros representam a humanidade, que vive na ignorância, presa às ideias pré-existentes.  Quando alguém se dispõe a sair desse estado, encontra-se com o “caminho que sobe”, que representa a transição entre dois mundos: o sensível (sombras, ignorância) e o inteligível (ideias, sabedoria) e pressupõe uma ascese por graus- a dialética.
Depois da ascese, isto é, a ascensão de um mundo para outro, devemos começar a procurar saber e a utilizar esse saber para procurar ainda mais saber. A isso se chama sabedoria e assim se formam os filósofos.

Outra das ideias principais deste texto, é mostrar que o tempo é limitado, e que não temos a eternidade para aprender. Isso é representado pelos prisioneiros que estão presos desde a infância, até à morte do sábio - Sócrates. Outro aspeto muito importante da obra são os problemas que levanta. Fazendo uma sequência cronológica resumida, podemos apresentá-los da seguinte forma:
  1. O que é a condição Humana?  (antropologia)
  2. A educação dos jovens: papel que a filosofia e o filósofo têm na educação ( questão social e política)
  3. O que é a verdade? O que é o verdadeiro saber/ conhecimento? (gnosiologia/epistemologia- nesta época ainda não era feita a distinção entre filosofia e ciência)
  4. Qual a verdadeira realidade/essência? (metafísica)
  5. Qual o sentido da vida? O que é a Morte? (sentido cíclico da vida, acreditando-se na teoria da reencarnação, ou seja, que o corpo morria, mas a alma continuava viva, apenas manifestando-se noutra forma física)
A partir daqui podemos determinar uma característica de Platão, a que chamamos dualismo. Encontramos vários tipos de dualismo na Alegoria da Caverna, onde podemos salientar:
  • O dualismo Antropológico: O Corpo e a Alma (Nous) são muito distintos. O primeiro corresponde a um estado provisório, que acaba na morte; enquanto o segundo corresponde ao centro ético onde se encontram as actividades intelectuais, necessárias à realização da ascese (vista como uma purificação, salvação, correspondente à sabedoria máxima).
  • O dualismo Cosmológico: Referente aos dois mundos, o sensível, que engloba as sombras e a ignorância, directamente ligado ao corpo, e o inteligível, o das formas ou ideias que constituem a realidade, que estabelece ligação com a alma.
  • O dualismo Ontológico (dos seres/ do ser): Onde se distinguem as Sombras e as Ideias
  • O dualismo Gnosiológico/epistemológico: (conhecer/conhecimento): Revelando a oposição entre doxa (ilusão/opinião) e episteme (conhecimento verdadeiro). 

Podemos representar isto acima descrito num único esquema, denominado diagrama da Linha:



Desta maneira, Platão pretende educar as pessoas, levando-as a sair da caverna e a explorar o mundo exterior. É pela educação, pela filosofia que o homem se liberta e ascende a outra dimensão, a dimensão espiritual.

Catarina Ventura Nº6 10ºC1

Alegoria da Caverna - Comentário

Vergílio Ferreira - Pensar ou não Pensar? (III)

              Relação entre o texto de Vergílio Ferreira, Pensar e a Alegoria da caverna de Platão:



Este texto, de Vergílio Ferreira, pode relacionar-se com a Alegoria da Caverna, de Platão, que comentei anteriormente. Em ambos os textos pode verificar-se que existe uma sociedade que vive num mundo chamado realidade, no mundo das sombras. Na actualidade, este mundo de sombras podem ser substituídas pelo mundo virtual, pela televisão, pelo mundo das imagens e ideias feitas. Um mundo que é vivido pelos mesmos que desprezam os intelectuais, os filósofos, que se fartam de trabalhar para chegar a uma verdade, a uma solução, a uma resposta. Que passam por um longo caminho desde o mundo das sombras até conseguir por fim ver a luz, tal como se descreve na Alegoria. 

E quando finalmente conseguem chegar a algum tipo de resposta, ou conclusão, tentam partilhá-la connosco, com as pessoas que rodeiam o filósofo e que ainda estão presas ao mundo das imagens. E o que acontece? Normalmente não acreditamos no que eles nos dizem e julgamo-los loucos. E eles acabam por palrar uns com os outros por mais ninguém querer saber, por ninguém se preocupar, por ninguém acreditar neles, nem no quanto são fundamentais. No entanto, e isso poucos percebem, o intelectual, o filósofo, os poetas, são os únicos que se preocupam realmente com problemas significativos do seu tempo e que dizem respeito a todos os homens.

Vergílio Ferreira questiona-se se , de facto, os intelectuais estrão em vias de extinção. Sim, talvez,  por culpa nossa, por insistirmos em permanecer nas nossas bolhas, abstraídos do mundo que nos rodeia, fixados nas imagens que vão passando na televisão, e que correspondem, no caso da alegoria, às sombras que passavam na parede da caverna.
Da mesma forma que nos é dada a conhecer nos dois textos, a sociedade descrita é uma sociedade que não se dá ao trabalho de pensar. Tal qual como atualmente. E se ninguém pensar, se ninguém se der ao luxo de fazer alguma coisa, então os problemas surgirão e ninguém se preocupará em encontrar soluções, a menos que o problema interfira diretamente, e imediatamente, com a sua vida, rotineira e monótona. E nada se vai acabar por resolver, porque a sociedade decidiu fazer dos filósofos seres invisíveis, tal como fazemos quando passamos por um sem-abrigo, e desviamos o olhar.
O sem-abrigo que ficou sem casa, sem roupas, sem comida, sem dinheiro, e, muitas vezes, sem família, por causa destes mesmos problemas que atingem o nosso mundo todos os dias, à velocidade de um TGV, porque se não fosse isso, esse sem-abrigo, seria um com-abrigo, uma pessoa igual a nós que provavelmente faria o mesmo que nós fazemos diariamente para com as pessoas que chamam casa aos bancos da rua, e mantas às caixas de cartão que deitamos fora todos os dias.

E fazemo-lo para não nos sentirmos mal com nós próprios, não porque não podemos ou não temos posses para tal, mas por um simples facto que é a Conveniência. Sim, porque vivemos num mundo em que só se faz o que nos agrada e não o que está correcto ou o que é melhor. Fechamos os olhos aos filósofos por conveniência.
O mundo em que vivo é um mundo onde o poder económico tem mais importância que os valores, um mundo onde a nossa raça, clube, religião, ou opinião política define quem somos ou o que podemos ou não podemos fazer. Um mundo onde há ganância e ignorância para dar e vender. Um mundo dedicado às tradições, superstições e falsas religiões. Muitas vezes usadas como escudo em guerras completamente absurdas, onde o chocante nem é a guerra em si, mas sim o facto de existirem pessoas capazes de cometer tamanhas barbaridades.

Um mundo que, só quando alguém se lembra de se explodir numa cidade ilustre, é que acorda para ver o que se passa. Todos decidem espalhar palavras de compaixão, pelos que sofrem, ou de revolta, pelos que cometeram o acto, nas redes sociais. Cobrem o mundo com a bandeira do dito país, quando essa mesma guerra, esses mesmos atentados ocorreram, se não mais graves, há anos atrás. Ou já se esqueceram do Boko Haram? O célebre Boko Haram. Aqui se vê a dita ignorância sufocante presente na nossa sociedade. Só nos preocupamos com o que nos agrada.

No dia 13/11/2015, às 21h00, deu-se o atentado de França. A comunicação social pelo mundo inteiro disparava notícias de minuto a minuto durante todo o fim-de-semana. Fomos invadidos por uma onda de compaixão humanista que só está presente mais por uma questão de “ficar bem na fotografia”. O mundo inteiro unido por uma causa. Hoje, dia 24/11/2015, passados onze dias desde os atentados o mundo voltou a fechar-se e já ninguém quer saber. Nos noticiários da televisão, a notícia tem direito ao rodapé enquanto se discute o resultado do jogo de futebol do dia anterior. Notícias online, tvi24 por exemplo. Vão reparar que só no fim da página há um pequeno espaço dedicado a essas notícias.

E como a comunicação social seguiu em frente nós fazemos o mesmo, como bons soldados que somos. Como bons paus mandados da televisão e das redes sociais. É este o poder que os média têm na actualidade, é este o poder que lhes demos para as mãos. Foi nesta arma perigosíssima que transformámos o mundo da comunicação. É perante isto que eu chego à conclusão de que tal como disse Vergílio, os intelectuais são um desperdício na sociedade actual, são chacinados pela ignorância incutida pela escola da televisão, nesta era das Tecnologias. Resta-nos por isso, ter esperança de que os jovens tenham noção de que a filosofia é essencial. Que lhes ensinem a amar a sabedoria, a questionar, a não viver na ignorância, a procurar soluções, mesmo que rudimentares, para os problemas com que nos deparamos actualmente.

E se pararmos para pensar, o que é que a filosofia faz por nós numa sociedade em que o tempo para pensar é cada vez mais escasso, na medida em que a velocidade do dia-a-dia nos obriga a tomar decisões rápidas, o que, consequentemente, nos leva a querer soluções imediatas? Como é que a filosofia nos iluminará num ambiente onde os bens materiais são mais importantes que o próprio ser humano? Onde actua a verdade numa sociedade como a nossa? E se é neste mundo bipolar que a filosofia está incluída, para que servirá? Onde é que a filosofia se enquadra numa sociedade que quer o ontem para já e o amanhã para hoje?

Nestes dois textos, vemos que a filosofia é a ciência essencial para tudo o mais ganhe sentido, ou seja, o mundo da tecnologia não existiria, se antes não houvesse alguém que se questionasse sobre a possibilidade de comunicarmos com o outro lado do mundo através do que agora são os telemóveis e a internet. Não haveria democracia se não houvesse alguém que se questionasse sobre o regime anterior, a ditadura, e o melhorasse de acordo com os valores, a ética, a filosofia social e política e todas as disciplinas da filosofia e o que isso implica. O mundo é movido pela filosofia, o amor ao saber, que por sua vez nos ensina a pensar por nós mesmos, de forma livre, autónoma e crítica, em oposição a poderes instituídos, a autoridades suspeitas e a todo o tipo de ameaças à vida individual e à liberdade de consciência. O ser humano tem a necessidade de filosofar, não só para se compreender melhor a ele próprio, mas também para compreender o mundo onde vive. De maneira que enquanto humanos somos incapazes de não filosofar, porque, mesmo que involuntariamente, em algumas situações, como por exemplo, quando nos deparamos com situações-limite, como a morte, acabamos por começar a filosofar.

Teoricamente a filosofia procura conhecer a essência da realidade, visando uma compreensão da totalidade das coisas e dos seres. Procura uma visão integrada de real, ao mesmo tempo que reflecte sobre os vários saberes, os problemas por eles suscitados e os conceitos usados por cada um. Na prática, a filosofia, ajuda-nos a orientarmo-nos no mundo, a saber viver, a agir de forma responsável, a encontrar uma finalidade para a vida, em ordem à conquista da felicidade possível. Por outro lado, ela intervém a nível social e político, no sentido de construir um mundo melhor.

A filosofia confere autonomia ao nosso pensamento, mas também a pressupõe. Ao ajudar a desenvolver o pensamento crítico ela torna-se uma arte de compreender o mundo e o ser humano e, ao mesmo tempo, uma arte de viver.
A utilidade da filosofia não está na produção de resultados imediatos. A filosofia amplia a nossa compreensão do mundo, expande os nossos horizontes intelectuais e a liberdade de pensamento.

A filosofia antiga difere da filosofia contemporânea pois, no contexto em que são desenvolvidos, há diferentes problemas e costumes. Por exemplo, na filosofia grega, não nos deparamos com o problema ambiental. Para além disso toda a filosofia é argumentativa. A argumentação é a base da filosofia e é por ser argumentativa, que também é problematizadora, democrática, plural, crítica, anti-conformista. Com isto eu tento explicar de uma forma resumida o que para mim é a filosofia. E são estas características que fazem da filosofia uma disciplina tão única e essencial.

Portanto termino este texto em concordância com o que Vergílio Ferreira escreve no final do texto, os filósofos, neste momento, só são reconhecidos e ouvidos por outros da mesma espécie, e enquanto assim for, a humanidade irá sofrer com isso também. Porque sem os filósofos, sem estes grandes seres humanos, a nossa história e vida seria uma grande porcaria, uma grandessíssima seca.

Beatriz Conceição, Nº4 - 10ºC1
Imagem: Copyright - Gustavo Marquez

Vergílio Ferreira - Pensar ou não Pensar? (II)

     Relação entre o texto de Vergílio Ferreira, Pensar e a Alegoria da caverna de Platão:


Estes textos podem ser relacionados quanto á forma de pensar dos filósofos. Na “Alegoria da Caverna”, o filósofo explora o mundo inteligível, moldando os seus pensamentos, idealismos e quando volta para dentro da caverna com objetivo de libertar os seus companheiros, estes simplesmente não acreditam nele achando que ele tinha enlouquecido. 

Por ter mudado de ideias, que para os que viviam dentro da caverna eram incontestáveis, e por se atrever a negar ou mudar crenças que até àquele momento pareciam as únicas válidas, o filósofo é sempre encarado como um ser à parte e pouco compreendido. Isto explica a razão pela qual o filósofo corre riscos e chega a ser morto.

Entretanto, no texto da obra “Pensar” da obra de V. Ferreira, o autor, usando ironia, transcreve a desvalorização que a sociedade daquele tempo dava aos filósofos e intelectuais. A sociedade tende a desprezar a inteligência, o conhecimento dos sábios e intelectuais, sem tentar sequer compreender a maneira como eles vêem o mundo.

Interligando estes dois textos, podemos dizer que em ambos se reflete sobre a dispensabilidade dos filósofos numa sociedade rotineira e dogmática. Não se valoriza que o filósofo é o homem que se atreve a pensar e a sair da prisão, mundo sensível, para a liberdade , mundo inteligível. Também se mostra que os intelectuais e filósofos são uma classe de homens à parte mas absolutamente necessária para a elevação de toda a Humanidade.


   Inês Silva Mendes -10º C1
                  Imagem: Copyright - Rene Magrittene Magritte

Vergílio Ferreira - Pensar ou não Pensar? (I)


Relação entre o texto de Vergílio Ferreira, Pensar e a Alegoria da caverna de Platão.

O filósofo, na sociedade ocidental, ontem e hoje, tem sido visto por muitos como um gasto desnecessário de recursos. Os homens e mulheres que vivem a rotina mundana e se limitam a viver e a pensar somente no que lhes chega através dos sentidos não vêm qual é o valor de nos interrogarmos com aquilo que não tem benefício imediato, e, portanto, rejeitam e acham inútil o filósofo e o pensamento filosófico.

Esta situação está patente tanto na Alegoria da Caverna, de Platão, como no excerto de Pensar de Vergílio Ferreira. No primeiro texto, o prisioneiro que foi libertado das suas correntes e conduzido até ao mundo inteligível (onde se apercebeu que o que percecionava dentro da caverna- as sombras na parede e o som que parecia deles provir, eram ilusões), ao tentar libertar os seus companheiros para lhes mostrar o que tinha descoberto encontrou contra si uma enorme resistência. Os restantes prisioneiros pensavam que ele tinha enlouquecido; a viagem para fora da caverna tinha-o tornado demente e resistiam às suas tentativas de libertação. Como poderia ser que existisse mais alguma coisa que fosse mais verdadeira que o que tinham visto toda a sua vida?

No segundo texto, o excerto da obra de Vergílio Ferreira, expõe-se, do ponto de vista de um “indivíduo prático” que não se interroga sobre nada, de forma autónoma e radical, que seja do interesse de todos os homens, o que mais uma vez sugere a inutilidade da filosofia e do filósofo na sociedade.

Vendo o mundo desta forma, o autor, ironicamente, descreve o filósofo ou intelectual, como um chato complicado e maçador, um “cromo” com a convicção de que diz a verdade, que se respeita hoje apenas por questão de etiqueta. É um picuinhas.
Em vez de nos questionarmos com o que não tem resposta, porque não ver televisão ou ler um policial? Admite, contudo, no final do texto, que quando se dá baixa dos filósofos numa sociedade é a Humanidade como um todo que desce para o nível de uma “pocilga apenas com uma variedade de feitio”.

Em ambos os textos, a maioria das pessoas, em representação da sociedade, tendem a dar pouco relevo ao saber e função do filósofo. Caracterizam-no como alguém com ideias inúteis, ou que enlouqueceu. Menosprezam-no, e, por isso, prejudicam-se, quer por permanecerem numa “caverna” até ao fim da vida, sem nunca conhecerem o belo mundo do espírito, quer por descerem ao nível de homens enclausurados.

    José Trindade Nunes dos Santos, nº 12, 10º C1 
Imagem - Copyright: Alessandro Cocca