terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Textos Argumentativos dos alunos: 2018-2019


Pena de morte: solução para a violência ou violação
do direito à vida?
Pena de morte é um tipo de condenação criminal prevista e regulamentada de acordo com a lei e sistema jurídico da região em que é utilizada. A mais comum entre países desenvolvidos é a pena de morte aplicada em alguns estados dos Estados Unidos da América a criminosos culpados de homicídio.
Este tema gerou, e ainda gera, muita polémica na sociedade devido à  existência de diversos argumentos tanto a favor, como contra. Quem afirma ser a favor da pena de morte acredita que nem todos os criminosos podem ser reabilitados e devolvidos à sociedade e que apenas esta pena os impede de cometer mais crimes do género e que direito têm eles à vida se não respeitaram o direito da vida das suas vítimas?
Apesar de serem bons argumentos, pessoalmente não acredito que a pena de morte seja uma opção viável e moralmente correta para lidar com este género de criminosos, visto que, para além de 4% dos americanos condenados à morte são mais tarde considerados inocentes ou então culpados mas de um crime de baixa gravidade, sendo assim injustamente condenados como foi o caso de Kenneth Foster em 1996 no Texas. Foster seria apenas o condutor do carro que foi utilizado para escapar da cena do crime onde um homem foi alvejado e morto, no entanto foi condenado com a mesma sentença que o homem que realmente cometeu o homicídio, colocando-nos a questão: será que devemos mesmo apoiar uma sentença que não consegue ser corretamente aplicada no sistema jurídico atual? Esta pena também quebra o artigo 2 na carta dos direitos humanos - o direito à vida – e pode ser, ainda, considerada uma contradição de si mesma, ou seja, é aplicada a criminosos que estiveram envolvidos num homicídio, afirmando que o homicídio é moralmente errado, no entanto a pena em si implica homicídio. Outro argumento contra a pena de morte seria apelar aos sentimentos dos indivíduos, utilizando a pergunta “e se fosse sua mãe?”. Muitas pessoas responderiam que não queriam que a sua mãe fosse condenada a tal pena, no entanto, não consideram que todas as pessoas que já foram, e ainda são, condenadas à morte são mães, pais, filhos e até amigos de alguém, portanto, porque aceitamos esta realidade nas outras pessoas mas não quereríamos que nos acontecesse a nós?
Sem ter diminuído a ocorrência de crimes, a pena de morte apresentou-se, ao longo da história da humanidade, como uma forma de repressão às ações ilegais. No entanto, desde o período primitivo que o endurecimento das penas se demonstra como um caminho contrário à evolução do direito e da vida em sociedade. Quando falamos em “pena” a primeira coisa em que pensamos é no sofrimento, ou castigo imposto a alguém. Portanto chegamos à conclusão de que o Poder Estatal aplica castigos àqueles que cometem delitos. A grande questão é saber o grau correto de punição que se deve colocar ao indivíduo.   

Trabalho de filosofia realizado por:
Madalena Paulino nº12 11ºA1

*****************************************************************************

Manipulação dos Media

No âmbito da disciplina de Filosofia, foi me proposto fazer um trabalho sobre o tema da Manipulação dos Media.

Para iniciar gostaria de esclarecer o conceito de media. Este conceito, que é também conhecido como meios de comunicação social acompanha a Humanidade desde o início da mesma e têm como objetivo a transmissão, receção e integração de informações. Atualmente, após dois séculos de constantes desenvolvimentos tecnológicos, tiramos partido de invenções como DVD´s, jornais, rádio, podcasts, a TV e a internet para o mesmo propósito. Neste trabalho vamos, no entanto, apenas destacar a TV e a internet, sendo que estes dois são os que,na actualidade, têm mais influência na sociedade.

No tema da aquisição de informações, a TV é predominante. De acordo com um estudo feito em 2016 pela Universidade Católica e a GfK Portugal, após um inquérito conclui-se que 99% inquiridos afirmam que vêm TV regularmente e 60,5% utilizam a internet no dia-a-dia e, com o avançar do tempo, estas percentagens têm tendência para aumentar.

É portanto notório que o auditório destas plataformas, especialmente da TV, é amplo e por isso, de certa forma, na mente na sociedade isso visto como um sinal de que essa plataforma é digna de confiança, uma fonte credível e o que é exprimido pela mesma é algo com valor de verdade. Este modo de pensamento é falacioso e perigoso pois esta confiança cedida vai servir de partida para que o espectador seja vitima de manipulação.

Nesta altura pode surgir a seguinte questão: O que é a manipulação dos media? A resposta é simples. A manipulação é um tipo de influência social, neste caso, vindo dos media que tem como objetivo mudar o comportamento e a maneira de pensar das pessoas através de práticas enganosas.

Voltando ao tópico anterior, a confiança que é cedida pelos espetadores e investida programas televisivos prestadores de notícias pode ser facilmente usada para manipular e enganar o auditório. Muitas vezes os media deste género criam histórias e artigos que resultam de uma mistura do real com a ficção. Outras vezes estas mesmas histórias são alteradas de maneira a satisfazerem interesses particulares, políticos ou económicos. O que devia de acontecer é o oposto, os media devem de ser fontes de informações verídicas, honestas e isentas sem emitir opiniões ou juízos de valor.

Os media conseguem também chegar à juventude e infância, sendo que cada vez mais cedo estas partes da sociedade tem acesso à internet e TV. A exposição às faixas etárias mais jovens têm como consequência a informação, educação e distração. Mas será que estas distrações são benéficas para estes sujeitos? Depende. Tem as suas vantagens, especialmente para infantes, e desvantagens, especialmente para a juventude. Por um lado “poupa” os mais novos das crueldades do mundo e serve de entretenimento. Por outro lado, constantes distrações perante a vida e o que acontece no mundo, especialmente durante a juventude, pode dar origem à ignorância, falta de cultura geral e alheamento do mundo.

Para concluir este trabalho pode-se dizer, sem dúvida alguma, que os media têm muita influência na vida do dia-a-dia das pessoas e que, para combater este problema os media devem de alcançar uma maior consciência/responsabilidade moral e ética das suas acções perante as suas audiências.


Guilherme Mateus  Nº7  11ºE2

******************************************************************************

A realização de cirurgias plásticas a menores de idade

   Hoje em dia é frequente ouvirmos falar da realização de cirurgias plásticas como um mecanismo de melhoria da aparência, em alguma região do corpo do qual o individuo se encontra insatisfeito, tendo-se tornado num fenómeno que ocorre em todas as idades, incluindo jovens menores de dezoito anos, que com as suas frequentes inseguranças e baixa autoestima, são facilmente influenciados pelos estereótipos criados pela media e pela sociedade acabando por recorrerem a intervenções cirúrgicas sendo algo completamente legalizável desde que aja uma autorização formal por parte dos encarregados de educação.
   No entanto será correto deixarmos que um jovem tome uma decisão que mudará o seu físico para sempre? Será correto deixarmos que um individuo, menor de dezoito anos tome uma decisão que poderá danificar a sua saúde no futuro? Será correto deixarmos que um adolescente danifique o seu corpo, só porque deseja corresponder aos padrões da sociedade? Será correto deixarmos que os pais recorrerem a um cirurgião em vez de um psicólogo para resolver o estado mental do seu filho?
   Este é um problema que toda a população do século XXI deva-se preocupar, pois os casos de cirurgias plásticas em menores de idade estão a aumentar cada vez mais em ambos dos géneros. Em 2018 10% das intervenções cirúrgicas realizadas em Portugal forma feitas em menores de idade, no mesmo ano nos Estados Unidos 4% dos pacientes que se submeteram à cirurgia estética eram adolescentes o que equivale a 66 mil cirurgias, no entanto este numero foi superado pelo o Brasil onde foram realizado 90 mil cirurgias plásticas em indivíduos com menos de dezoito anos. A elevada dimensão de jovens a recorrem a este mecanismo fez com que o papa Francisco no seu livro Deus é jovem, publicado dia 22 de março de 2018 denuncia-se os estragos da cirurgia estética na população jovem só para: “...corresponder aos padrões da sociedade para não acabar entre os excluídos...”.
   De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o período da adolescência compreende o momento de transição entra a infância e a idade adulta. Este processo é marcado por diversas transformações corporais, hormonais e comportamentais, que manifesta tantas duvidas e inseguranças, sendo o conceito de autoimagem e a necessidade de sentir-se bem, aspetos extremamente importantes pois vivemos num mundo em que a sociedade incentiva a busca pela perfeição, a qualquer custo, levando a que vários adolescentes desejarem alterar algo no seu corpo através de cirurgias plásticas.
    Assim podemos encontrar os dois principais responsáveis para tantas cirurgias estéticas em menores de idade:
   a) a opinião dos colegas, sendo este um fator extremamente importante, principalmente no caso do adolescente sofrer de bullying devido ao seu físico levando este aumentar os seus complexos e inseguranças;
   b) os media, mais especificamente a moda que estabelece os padrões exigidos pela sociedade contratando modelos com uma estrutura física muito semelhante do qual eles consideram ser o “bonito” e o “aceitável” acabando por vários adolescente que não correspondam a esses padrões se sinta excluído.
   Perante estes sentimentos os adolescentes começam a alterar os seus comportamentos tornando-se em pessoas mais reservadas e isoladas de todos. Estas alterações fazem com que os próximos indivíduos afetados serem os encarregados de educação pois as mudanças comportamentais dos educandos fazem com  que estes manifestem uma preocupação e um certo desespero movido pelo o desejo de o jovem voltar a ser o que era.
   Deste modo, os jovens a apresentam a sua vontade de corresponder aos padrões de beleza impostos pela sociedade sendo a única solução encontrada: as cirurgias estéticas, ideia esta que os seus encarregados de educação acabam por ceder.
   No inicio deste processo cirúrgico, é discutido detalhadamente com o cirurgião plástico                                                                                                                                                                                                                                      as suas expectativas e confrontá-las com o possível resultado obtido e só depois esta discussão é que é determinado se os adolescentes vão ou não realizar a cirurgia plástica. Após a operação, os riscos da cirurgia plástica realizada em adolescentes são os mesmos de qualquer cirurgia estética realizada em qualquer outra idade. O que pode ser diferente é a chance de frustração causada por expectativas não realistas, pois os jovens possuem uma personalidade ainda em formação, sendo fundamental que a estrutura psicológica do paciente esteja preparada para encarar e aceitar a mudança de imagem que a cirurgia proporciona.
   Esta possível reação faz com que exista uma divisão entre cirurgiões plásticos sobre a realização de cirurgias estéticas em adolescentes. Num lado existem cirurgiões defendem  que não aja uma norma que defina qual a idade mínima para se submeter à cirurgia plástica. Cada caso tem de ser avaliado separadamente, porque a idade não é o mais importante, mas sim a avaliação da evolução física do paciente, o nível de crescimento e maturidade. No outro lado muitos médicos sustentam o argumento de que os adolescentes estão em fase de transformação e, por isso, não é hora de mudar o seu corpo, defendendo a existência de um lado emocional imediatista que inclui ansiedades por mudanças no corpo.
   Neste ponto de vista, a melhor solução para que o adolescente melhore o seu estado mental é consultar um psicólogo. O psicólogo irá tomar conhecimento das inseguranças e da baixa autoestima do paciente dando inicio a um processo gradual de técnicas psicológicas onde o jovem irá ganhar confiança em si próprio e nunca mais ser dominado pelos estereótipos da sociedade e dos media. Este processo não impede que o adolescente realize cirurgias estéticas no futuro, pois este poderá o fazer só que será por ele próprio e não pela pressão causada pelo perfecionismo.
   Devido a todos estes fatores eu penso que as cirurgias plásticas em menores de idade deviam ser extintas pois estas estão sempre relacionadas com problemas e/ou inseguranças mentais devendo o individuo consultar um psicólogo que o ajude a ganhar autoestima e a aceitar o seu corpo tal como ele é do que um cirurgião que só irá alterar a zona do seu corpo do qual este se sente inseguro acabando por os problemas e as inseguranças manterem-se e como consequência  quando os estereótipos da sociedade alterarem o individuo volte a recorrer a intervenções cirúrgicas




Beatriz Gomes 11º E2 Nº1

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Dia Mundial da Filosofia

No âmbito do Dia Mundial da Filosofia (novembro de 2018) retirámos um excerto  da obra de Yuval Harari 21 Lições para o Século XXI e que será para nós
Uma lição para o século XXI




O Grupo de Filosofia

quinta-feira, 22 de março de 2018

Direitos Humanos

O Grupo de filosofia desenvolveu com os seus alunos uma série de trabalhos sobre os direitos humanos. Eis alguns desses trabalhos:
https://prezi.com/p/mvvplpyo3ydv/


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Conclusões do Debate sobre Alimentação.



Conclusões do Debate sobre Alimentação


Nos dias 18 e 19 de outubro, as turmas 10º A1, 10º E1, 10º H1 e 11ºA1, reuniram-se em assembleia para debater as vantagens da alimentação vegetariana e da alimentação tradicional mediterrânica. Também participaram nestes debates um encarregado de educação, Aires Miguel, e um fisioterapeuta, praticante do vegetarianismo.

A proposta partiu da professora Isabel Nunes de Sousa e foi iniciada com a leitura e análise do texto de Peter Singer: “Devemos comer carne de animais?” (Vide Manual Contextos 10º ano).

Os arguentes a favor da alimentação vegetariana defenderam que, na sua opinião, a opção por uma alimentação vegetariana tinha como principais vantagens:
- evitar os maus tratos a animais;
- o controle da qualidade dos alimentos;
- a diminuição dos impactos ambientais provocados pela produção excessiva da carne (com especial destaque para a produção de carne de vaca, que produz quantidades significativas de emissão de gases nocivos para o ambiente – maior que o dos transportes);
- a existência de alimentos vegetarianos que fornecem as proteínas e todos os nutrientes necessários a uma alimentação saudável;
- a diminuição de doenças associadas a uma alimentação com poucas fibras, excesso de consumo de carne e de gorduras como diabetes, colesterol e doenças cardiovasculares;
- uma maior consciência e informação do que se come por parte dos seus praticantes.


Os arguentes a favor da alimentação tradicional defenderam que, em sua opinião, a opção por uma alimentação vegetariana tinha como principais desvantagens:
- Ser mais pobre em nutrientes (com destaque para o ómega 3 e as proteínas);
- Impossibilidade de produzir alimentos suficientes para toda a população (caso muitas pessoas tomassem essa opção);
- Ser uma opção alimentar que muitas vezes segue modas, com uma base científica questionável.


Os arguentes a favor da alimentação tradicional defenderam que, em sua opinião, a opção por uma alimentação tradicional tinha como principais vantagens:
- Ser uma alimentação mais barata e facilmente acessível a todas as pessoas;
- Ser geradora de uma boa parte do emprego mundial e geradora de riqueza;
- Estar de acordo com as diferentes tradições alimentares regionais, podendo ser muito saudável se praticada com opções de acordo com a roda dos alimentos (com especial destaque para a denominada “Alimentação Mediterrânica” e/ou alimentação com base em produtos biológicos);
-Ser uma alimentação com benefícios comprovados filogeneticamente.

Os arguentes a favor da alimentação vegetariana defenderam que, em sua opinião, a opção por uma alimentação praticada vulgarmente, com consumo de carne, tinha como principais desvantagens:
- Estar associada a uma produção alimentar massiva, onde muitas vezes se praticam maus tratos a animais, uso abundante de químicos como pesticidas, manipulação dos alimentos, produção de peixes em condições incorretas e nocivas para a saúde, e ainda responsável por um dos poluentes mais prejudiciais ao ambiente – o metano libertado pela produção de carne de vaca;
- Ser uma opção alimentar que muitas vezes surge associada a doenças como as doenças cardiovasculares, colesterol, diabetes, obesidade, entre outras;
- Ser eticamente reprovável por não respeitar o direito à vida condigna de todos os animais.


Após a tentativa de rebater os argumentos de cada um dos lados, todos concordaram que:
- Os riscos para a saúde podem existir em opções alimentares vegetarianas ou tradicionais, devendo procurar ter uma alimentação saudável e equilibrada independentemente do tipo de alimentação praticada;
- Independentemente das opções alimentares individuais, a informação sobre o que comemos, a origem dos produtos, o modo da sua produção, as regras de uma alimentação saudável e as doenças associadas a opções alimentares incorretas, é algo que nos deve preocupar a todos e que traz grandes benefícios;
- A existência deste tipo de debates, bem como outras estratégias para consciencializar os alunos sobre as implicações das várias opções alimentares, são úteis e necessários;
- Seria desejável que houvesse nas cantinas escolares e de empresas uma opção de alimentação tradicional e uma opção alimentação vegetariana;
- Deve haver uma forte fiscalização sobre as empresas de produção alimentar, evitando situações de maus tratos de animais, contaminação de alimentos por químicos nocivos, entre outros elementos que garantam a todos a qualidade dos alimentos e o controle da poluição provocada pela produção alimentar.

Sobre a questão se os pais podem ou não decidir por uma opção de alimentação vegetariana para os seus filhos, não houve consenso.

sábado, 18 de novembro de 2017

Dia Internacional de Filosofia 17-18

Neste ano, o Departamento de Filosofia decidiu conciliar as atividades do Dia Internacional de Filosofia com o centenário da abolição da pena de morte em Portugal. Partindo do texto "Apologia de Sócrates, os alunos refletiram e debateram este importante assunto que, infelizmente, ainda nos surge como um debate necessário na atualidade. Em breve, publicaremos o resultado de alguns desses trabalhos e debates.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Se eu fosse uma coisa...

Eis alguns exemplos produzidos pelos alunos do 11º H1 (17-18) em resposta ao desafio deixado pela Teresa Santos.

Se eu fosse uma "coisa" seria um livro, para que todos pudessem ler a minha história. 
Não seria um livro qualquer . Seria um livro bibliográfico, escrito por todos aqueles que me rodeiam, em que a história fosse contada pelo prisma dos outros e não apenas pela visão da personagem principal. 

João Pedro Amor Esgalhado, 11º, H1 

Uma Macieira pode dar nozes?

Estas foram algumas das respostas produzidas pelos alunos do 10º C2 (17-18) a este desafio deixado pela professora Teresa Santos:

Resposta à pergunta ‘’Porque é que a macieira pode dar nozes?’’

  Um enxerto poderá fazer com que a macieira dê nozes, ou seja, com a intervenção humana. Também pode ser uma macieira geneticamente alterada de modo a dar nozes. Mas fica uma macieira ou uma nogueira? A filosofia é uma ciência que está antes de todas as ciências e ocupa-se do pensamento de todas elas, logo, qualquer resposta relacionada com a biologia é aceitável. Outra hipótese seria mudar as convicções humanas de modo a que se chame macieira a uma nogueira e, nesse caso, teremos uma macieira que dá nozes. A linguagem é um jogo de convicções que podemos mudar, alterando o sentido da palavra.


Tiago Cabrita, 10º C2

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Um ponto intermédio

“A  linguagem é o ponto de partida para nós podermos comunicar aquilo que veio ter connosco, por um lado, e por outro lado, aquilo que nós não conseguimos absorver.” (1)

Este blogue "Do mistério das coisas" tentou ser um espaço de articulação entre a área temática da Filosofia e uma Biblioteca Escolar. Nele se tentou abrir um espaço de reflexão sobre algumas das questões essenciais que dizem respeito ao homem e à vida, ao mundo, ao mistério das coisas e dos seres que habitam este planeta. 

Este blogue procurou ser um espaço de partilha de recursos, de motivação à escrita de textos / comentários sobre diferentes temáticas. No fundo procurou tentar dar um contributo, para que dos textos, do conhecimento se possa progredir para um saber fazer que é também uma forma de aprendizagem da vida. 

Temáticas como Os Direitos Humanos, textos e pensamentos sobre a Liberdade, a Ética, a Política, a Arte, ou a representação foram áreas publicadas. Publicaram-se textos e materiais a partir da exploração de aplicações digitais. O Blogue funcionou entre outubro de 2015 e julho de 2017. Publicaram-se 150 textos / materiais, dos quais vinte e nove foram produzidos pelos alunos.

Neste projeto procurou-se abordar as áreas de exploração das temáticas ligadas a uma atitude construtiva que se relacionavam com a vida e o homem. Algumas vezes foi possível discutir o valor e a importância das Humanidades e trazer o real, o quotidiano para uma análise filosófica dessas questões. A linguagem é a nossa forma de nomear as coisas, de lhe dar em sentido  em nós, o que significa atribuir significado ao mundo 

Chamamos a este último post, "um ponto intermédio", na esperança que a próxima equipa da Biblioteca possa conduzir esta ideia / projeto que nos pareceu interessante e importante para os alunos.
Aos que nos visitaram e sobretudo aos professores e alunos que colaboraram neste espaço digital, um muito obrigado. Desejo a todos felicidades para os dias a seguir, como disse Sophia, para algo de belo e de substantivamente justo.

(1) Maria Gabriela LLansol. Paris, Sorbonne, 24 de Outubro de 1988, Les Belles Etrangères
Imagem: Fídias, Métopa do Pártenon, 447-432 a.C. Londres, Museu Britânico

A representação do belo - [II]


Quando pensamos em belo sabemos que nele, como tudo o que envolve a vida humana é relativa aos tempos sociais e culturais. O que hoje achamos belo amanhã muda de sentido, pois os códigos de beleza alteram-se. E, no entanto ao olharmos para a Vénus de Milo, ou o Discóbolo de Mirone, expressões de séculos encontramos ainda ali um ideal de belo, uma representação que achamos bonito, tal como o podemos ver num quadro de Vermeer ou numa natureza de Monet. Encontramos aí uma representação substantiva de belo, ainda que saibamos que essa aquisição do belo se fez pelos valores sensoriais, algo a que acedemos de uma forma diversa quando tentamos definir o Bem ou a Verdade.

Quando falamos do belo como experiência sensorial perguntamo-nos como essa aquisição se faz em cada um de nós. É pela educação, ou apenas por algo que cada um de nós pode ou não ter incentivado como uma procura. As crianças são um exemplo muito significativo, dessa forma de encontrar um modo de comunicação, como se essa observação fosse um diálogo entre nós e a arte, ou com a simples observação de uma paisagem, da leitura de um livro, algo a que poderíamos chamar uma Graça. O belo que se apresenta nessas dimensões, é como algo que está para lá da compreensão.

O que compreendemos num templo budista? Podemos sobre isso dar aquela resposta que João Bénard da Costa (1) contava uma história interessante, a de que uma criança ao ler excertos dos Lusíadas dizia, "Eu não percebo nada disto, mas isto é tão bonito". E talvez que em muitas circunstâncias o belo seja não só o que ultrapassa a compreensão, ou que está para além dela, mas seja também uma forma de encontro. Um encontro com algo de maravilhoso e que se realize pela incompreensão.

A visita a um templo oriental, como o templo dourado em Kyoto provoca um sentido diferente de perceção do espiritual, mas ainda assim achamo-lo belo. E, todavia compreendemos a sua funcionalidade? Não a percebemos e talvez seja isso que o belo seja, o que não se percebe tão bem, ou se percebe menos e, justamente porque a compreensão é do nível do mistério. Podemos visitar o Epidauro, conhecer as características técnicas daquele espaço, mas a transcendência pode não nos contemplar. E assim o que fazemos é o estudo da Estética, em que relacionamos a representação do belo com as ideias filosóficas de um tempo. E aqui temos muitas possibilidades.

Desde os Gregos que a ideia de belo evoluiu. A sabedoria foi a primeira forma de belo, foi nas palavras dos poetas que ela primeiro se definiu, com o que conhecemos da obra de Homero e Hesíodo.
O belo relaciona-se com essa dimensão essencial de todos, a vida ainda. Como a podemos alimentar? Com que palavras? Com que sabedoria habitaremos a vida e a sua essência, o seu coração? Como a entendemos entre uma ideia secular de destino, um grito de ar, de visão entre momentos escassos, esse nada que varia entre promessas e nenhuma crença, apenas um fio de escuro. Parece pois essencial ter algum pensamento, descobrir na beleza uma sabedoria para a construir, para a edificar. A palavra sabedoria conduz-nos à ideia de uma aprendizagem.

Sophia criou sem dúvida uma ideia de belo que retomava valores clássicos, mas que os afirmava em novos tempos. Fazia a ligação entre o Belo e o Bem. Com ela a experiência estética transforma-se numa experiência ética e deu-nos essas palavras essenciais, a da relação justa entre as coisas e os homens. É dessa construção de um valor inteligível da vida, a que o belo se encontra associado. É dessa viagem desde os Gregos aos inícios da modernidade que aqui tentámos falar durante alguns  meses.

(1) João Benard da Costa, Ciclo de conferências "Ecce Homo", Lisboa, Maio de 2007.
Imagem - Teatro do Epidauro - séc. IC a. C., civilização grega, nas margens do mar Egeu. 

A representação do belo - [I]

"O que é belo há-de ser eternamente uma alegria, e há-de seguir presente.  Não morre; onde quer que a vida breve nos leve, há- de nos dar um sono leve, cheio de sonhos e de calmo alento." (1)

"O belo na representação da arte, a fruição estética da criação!", foi uma ideia que desenvolvemos, com a construção de um conjunto de recursos sobre as ideias e a representação artística em determinados períodos. Fomos deixando alguns recursos sobre essa relação na civilização grega, no período medieval, no Renascimento, no Iluminismo e terminámos com algumas leituras sobre o Sublime. Nos dois posts finais, dois pequenos textos sobre o Belo em si, ou seja como poderíamos abordá-lo de um modo mais genérico, como ele poderia ser pensado. É um ponto de chegada e um ponto de partida. 

Os artistas e criadores em diferentes épocas tiveram motivações diversas. Uma das suas fortes motivações foi ainda assim o prazer das obras apreciadas. A procura do belo e a tentativa de atingir um nível de perfeição conduziu muitas criações. Definido como "gracioso", "bonito", "maravilhoso", o belo muitas vezes se identificou com o bom. Na nossa expressão diária muitas vezes o que definimos como belo é o que nos agrada ou que desejamos ter.

Muitas vezes associamos o belo ao bom, ao que transmite um ideal, que pode estar associado a um mito, ou a um herói. Essa ideia pode ser conhecida ou identificada como bom, mas pelas circunstâncias de sofrimento desses heróis, ela não se transforma num desejo nosso.

Esse sentido de bem afasta-se das nossas opções. Existe pois uma diferença crucial entre o Belo e o Desejo.

O belo visto numa obra de arte é algo que não suscita o nosso desejo, mas algo que existe por si, como representação bela de algo que muitas vezes possa o não ser, como em algumas situações da natureza. É desse belo, sentido e admirado numa cultura que aqui falámos. O Belo exprimido na Arte, mas também pela representação da natureza, pois esta foi em muitos momentos a representação do Belo. 


Por vezes representações de uma época podem ser consideradas belas, ainda que de contornos morais duvidosos. Falámos aqui da evolução da beleza tendo em atenção que ela nunca foi um absoluto e evoluiu ao longo da História nas suas representações mitológicas, da natureza e da visão da sociedade e dos seus elementos. E há naturalmente que reconhecer que muitas vezes, uma mesma época criou diferentes ideias de belo, de acordo com a sua própria evolução cultural.

O belo é umas das áreas em que a Estética, como disciplina tentou definir um conjunto de conceitos evolutivos relacionando as ideias, a cultura, o social e a representação de formas diversas pela expressão artística. A Estética foi já lida de muitos modos e talvez a mais interessante seja aquela que nos diz que ela é uma forma sensível de conhecer, algo como uma alternativa à razão. Os objetos estéticos criam em nós formas de sentir. É consensual que o belo se associa muitas vezes ao que agrada, ao que dá uma satisfação capaz de um entusiasmo. O belo tem si as suas próprias formas de beleza, ou somos nós como observadores a construir um conceito?


Quando entramos numa igreja românica, ou numa catedral gótica, ou num templo budista a beleza emerge como uma realidade. Esses são espaços de beleza.

A primeira pergunta a fazer é por que chamamos belos a esses espaços e por que razão os espaços de oração e recolhimento são portadores de uma ideia de Beleza?
A segunda questão pertinente é a de reconhecer que num livro como a Bíblia está ausente a formulação de belo. A única aparição da ideia de belo refere-se ao reino de Salomão e a sua comparação com os lírios do campo. A única referência de belo nas Escrituras Sagradas é uma referência natural e relativo a uma dimensão espontânea.
A terceira questão que importa fazer, há algo de imutável no belo, há nele algo de permanente?

 (1) Kohn Keats. (1841). "Endymion", in The poetical works of John KeatsLondon: William Smith.
Imagem - Estela grega de uma criança, séc. V a. C.; Dartmouth College's Hood Museum; The Onassis Cultural Center in New York

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O sublime] (2)

As ideias de Kant e a sua construção da ideia do Belo e de Sublime foi a partir do século XIX conduzida por outros autores e que criarão ideias diferentes e que estarão na base da sensibilidade romântica. Para Schiller, “o Sublime será um objecto, diante de cuja representação a nossa natureza física percebe os seus próprios limites, do mesmo modo que a nossa natureza racional sente a sua superioridade e a sua independência em relação a todos os limites."

Hegel falará do Sublime como uma tentativa de exprimir um sentido de infinito. Tentativa que não encontra no mundo dos fenómenos possibilidade de encontrar uma adequada representação. A ideia de Sublime em Setecentos relaciona-se não com a Arte, mas procura-se materializar-se como uma experiência que se relaciona com a Natureza, para concretizar uma experiência de Sublime. O movimento romântico terá uma questão a que procurará dar resposta, como exprime o Sublime nas Artes? 

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
Imagem: Caspar David Friedrich, Monk by the Sea, 1808, Alte Nationalgalerie, Staatliche Museen zu Berlim.

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O sublime] (1)

Pesquisa filosófica sobre a origem das nossas ideias do Sublime e do Belo de Edmund Burke, de 1756 é a obra que fará a introdução do Sublime na sociedade, no sentido de a discutir de uma forma estruturada. Em Burke há uma oposição entre o Belo e o Sublime. A Beleza existe como uma qualidade objetiva que é testemunhada pelos sentidos. Não reconhece o que séculos erigiram do ponto de vista estético, como o valor da proporção, mas antes vê na Beleza conceitos como a variedade, a variação gradual, a clareza da cor, a graça, a elegância. No Sublime Burke vê uma vastidão de horizontes, a rudeza, a solidez e a dimensão do tenebroso que a poética das ruínas ou o gótico oitocentista irá elaborar. O Sublime para Burke nasce de ideias de força, de um sentimento de vazio, onde se enquadram o silêncio e a solidão. O Sublime é caracterizado por aquilo que não é finito, por aquilo que aspira a algo cada vez maior. A relação entre o Belo e o Sublime advém da resposta a uma questão. Podemos encontrar alguma fonte de prazer no terror, no tétrico?
Esse mistério pelo terror implica que nos afastemos dele, o que significa a um certo desinteresse, o que equivale àquilo que durante séculos esteve ligado ao Belo. Tanto o Belo como o Sublime é algo que não conduz a uma posse e assim, no caso do horror como catalisador do Sublime é algo que não nos afectará negativamente.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
Imagem: Giovanni Battista Piranesi, Prisioneiros na plataforma suspensa, mesa de Carceri d’ invenzioni, 1745.
 
Se Edmund Burke fez a introdução da discussão sobre o Sublime, foi Kant que melhor fez a precisão entre Belo e Sublime. Essa precisão foi feita na sua obra de 1790, Crítica da faculdade de juízo. O belo para Kant está associado a um conjunto de características: uma finalidade que não tem um objetivo, um prazer que se constrói desinteressado e uma universalidade. O Belo apresenta-se como algo que nos concede prazer, mas que nós não tentamos possuir. O Belo associa-se a uma representação que parece assumir-se como uma regra de si própria, do que desperta, define uma universalidade desprovida de um conceito. O belo não passa por um juízo estético, mas pela dimensão concreta desse belo, pois não depende de um raciocínio que se oriente por categorias, mas apenas pelo que o observador sente. Há no Belo de Kant uma experiência que se joga entre a imaginação e o intelecto do observador.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
Imagem: William Bradford, Glaciar Sermitsialik, c. 1870, Old Dartmouth Historical Society, New Bradford,
 #Osublime
#Obelocomorepresentação

Em Kant o Sublime não se confunde com o Belo. Existem duas formas de Sublime, o matemático e o dinâmico. O céu estrelado à noite pode ser um exemplo da primeira forma de Sublime. Aquilo que presenciamos conduz-nos a uma fonte de experiência que excede o que realmente vemos. É pela nossa razão que definimos um sentido de infinito que aquela observação nos deu, pois nem a imaginação, nem a intuição permitem tal construção naquele cenário.  Incapaz de construir um diálogo entre a imaginação e o intelecto assume-se a nossa subjectividade que pode imaginar o que pode não existir.
Uma tempestade pode ser o exemplo a reter para o Sublime dinâmico. Aqui não criamos impressões através da observação de algo de dimensão infinita, mas é a sua força que nos revela a nossa fragilidade que apenas pode ser compensada pela afirmação do valor moral da nossa condição humana.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa:Difel.
Imagem: Caspar David Friedrich, A lua eleva-se sobre omar, 1822, Staatliche Museum, 
 #Osublime

#Obelocomorepresentação

A palavra e o mundo - Mozart (II)

terça-feira, 11 de abril de 2017

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O século XVIII] (6)

O século XVIII fez avançar a razão. Mas ela, como Kant o pressentiu tinha no su inetrior elementos não racionais, aquilo que ele designou “A beleza vaga”, aquilo que se integra no abstrato, e que se distingue da “Beleza aderente”. Aquilo que o século XVIII nos faz interrogar é essa dicotomia entre o intelecto que assume uma forma de “sentir”, como num quadro de Watteau e um outro “sentir” adjacente à razão e permeável à gentileza. Este belo, dividido entre o intelecto e a razão introduzem-se no campo da imaginação, naquilo que a moral consegue definir. A superação desta divisão será feita por Kant com o seu conceito de sublime e será explorada pelo Romantismo com a sua exploração do conceito da “Beleza vaga”.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Jean-Antoine Watteau, A canção do amor, 1710-1720, Tate Gallery, Londres.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

Kant reconheceu na natureza um poder ilimitado e uma ideia de infinitude. Kant reconhecia-lhe uma confiança que transmitia um valor de positividade, valor que não era demonstrável, mas que conduziria ou influenciaria o homem para uma ideia de progresso humano. Mas a natureza era também uma fonte de limitação à vida e por isso essa harmonia não era susceptível de se tornar uma emoção universal. Na verdade o Sublime, estádio superior do Belo é o reconhecimento de uma dimensão muito importante da razão humana, a sua independência em relação à Natureza, pela descoberta de uma faculdade ligada à experiência do sensível.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Angelica Kauffmann, Auto.-retrato com o busto de Minerva, c. 1770, Uffizi, Florença.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

A Beleza também pode ser cruel e tenebrosa. É ainda Kant que o definiu. Nós temos uma razão que é independente da natureza e temos uma necessidade de encontrar uma fé nessa Natureza. A nossa razão pode desmaterializar um objecto compreendido e transformá-lo num conceito, ou ainda  pode tornar-se independente desse conceito. Dentro deste quadro, não poderão as coisas,as pessoas, a sociedade transformar-se num corpo manipulável? Assim, como se pode impedir as formas e os conceitos de planear o mal e a própria destruição da vida? Assim a Beleza pode ser uma máscara, atrás da qual se encontram os lados tenebrosos.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Grancisco Goya y Lucientes, O sono da razão gera monstros, 1797-1798, Kusthalle, Hamburgo.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O século XVIII] (5)

Nem sempre o século XVIII e em todos os lugares houve essa abertura e essa consagração do belo entre o homem sensível e a representação da natureza. Em Inglaterra William Hogarth não seduziu a sua construção de um belo narrativo, ou de uma representação pouco interessada no aspetos de classicidade da aristocracia britânica. A arte por vezes cria frustrações nas expetativas de um público que a consome e que não se revê em determinados valores. Don Juan de Mozart que prenuncia o início de um outro mundo mental é ainda quando representado olhado com alguma distância. A burguesia nem sempre gostou de se ver no espelho, ainda que seja de um génio.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: William Hogarth, Os criados da casa Hogarth, 1750-1755, Tate Gallery, Londres.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

O romance também deu conta do sentimento que  o século XVIII exprimiu. O diário íntimo
dará forma a esse sentimento, e lançará as sementes para o Romantismo. O romance do século XVIII avançará a ideia essencial para o futuro de que o sentimento não é uma perturbação criada pela mente, mas que é uma expressão da razão e da sensibilidade, o que revela ser um enriquecimento para a vida humana. O sentimento ao ser conquistado pela razão torna-se um elemento mediador de uma tirania que a razão poderia ter. Rousseau via no sentimento um antídoto para contrariar a beleza decadente e artificial e viu nele uma reconquista para o coração atingir uma beleza mais perfeita, mais íntima ou próxima da natureza.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Jacques-Louis David, Retrato de Madame Récamier, 1800. Museu do Louvre, Paris.
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

Não é possível falar do século XVIII e da sua estética sem referir Immanuel Kant e a sua obra A Crítica da faculdade de Juízo, datada de 1790. Kant será o apogeu dos aspetos subjectivos ligado ao gosto que o século XVIII afirmou. A experiência estética do Belo, para Kant, revela uma natureza desinteressada. O Belo é algo que nos agrada de um modo desinteressado, sem que isso seja originado por um conceito. Assim, o gosto é uma faculdade humana que consegue julgar de um modo desinteressado um objeto, ou a sua representação, como é o caso da Arte. O prazer que uma representação nos dá através de um olhar é que é o belo. Assim a universalidade do belo torna-se um conceito subjetivo. Pode ser uma ideia inicial de um criador, mas não necessariamente terá de ser apreendido por um valor universal de natureza cognoscitiva.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: George Romney, Retrato de Lady Hamilton como Circe, c. 1782, Tate Gallery, Londres. 
#Arazãoeabeleza
#Obelocomorepresentação

Conteúdos na rede - A representação do belo - [O século XVIII] (4)


Diderot e Winckelmann viram nas ruínas uma duplicidade de sentidos. A beleza das ruínas, no sentido de nelas compreender a efemeridade da ação humana e a ruína do tempo e igualmente uma fé que permita uma reconstrução, uma fidelidade a algo original. As descobertas feitas pela Arqueologia levaram Wincklemann a querer reconstruir uma pureza do passado, quase como a que Rousseau imaginou possível para o homem, simples, em oposição a construções elaboradas, fictícias quer no plano humano, quer na arquitectura.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Johann Heinrich Füssli, O desespero do artista perante a grandeza dos fragmentos antigos, 1778-1780, Kunsthaus, Zurique.

#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação


O século XVIII criou uma definição estética de grande inovação em relação ao Renascimnto e ao que foi o século XVII. O século XVIII criou uma relação que o aproxima do mundo contemporâneo, um diálogo relacional entre público e privado. É o século da afirmação do papel das mulheres em salões literários e da introdução de novos temas artísticos.  O século XVIII rompe com a tradição de dependência total do artista em relação ao seu mecenas. O início de uma “indústria” editorial dará aos artistas e pensadores alguma independência. Mozart teria tido mais chances económicas se tivesse vivido no século XVIII, quando um músico já era um pouco mais interessante que um cozinheiro. As histórias nacionais ganham importância como narrativa escrita e lida. Neste século surgem também os compiladores de livros mais populares e que fazem a divulgação dos temas mais pertinentes dos grandes temas políticos e filosóficos.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.

Imagem: François Boucher, O pequeno-almoço, 1739, Museu do Louvre, Paris.

Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Johann Heinrich Füssli, O desespero do artista perante a grandeza dos fragmentos antigos, 1778-1780, Kunsthaus, Zurique.
#Arazãoeabeleza;#Obelocomorepresentação


Os salões literários desempenharam um grande papel no século XVIII. O aumento da leitura daria à França a possibilidade de criar um terreno que irá favorecer a Revolução. A estética dividiu-se entre o Neoclassicismo e o Rococó. Se Napoleão seguiu o primeiro, o segundo era o emblema de um Antigo Regime de má memória. Desenvolve-se o espírito crítico. Nasce o crítico e aquele que apenas tem uma opinião. Addison e Diderot são o emblema de um período que oscila entre a imaginação como perceção e a beleza que se constrói entre a sensibilidade e a natureza. A imprensa foi essencial para a difusão destas ideias.
Fonte: História da Beleza. (2005). Umberto Eco. Lisboa: Difel.
Imagem: Jacques-Louis David, Retrato do casal Lavoisier, 1788, The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque.

#Arazãoeabeleza; #Obelocomorepresentação